Naquele dia em que discutimos, ela deixou o remédio para constipação no meu carro.


Corri até a porta da farmácia e ouvi ela falando ao telefone com um homem.
O tom de voz era pegajoso, como se tivesse acabado de sair de um pote de açúcar,
um som que nunca tinha ouvido nela antes.
Ela disse que tinha comprado o remédio, que não viesse me buscar, que ela ia pegar um táxi e voltar sozinha.
Depois de desligar, virou-se e esbarrou em mim, com o rosto pálido.
Entreguei-lhe o remédio.
Disse que aquela marca não era boa, que eu trocaria por outra.
Ela pegou sem dizer nada.
Perguntei quem era aquele homem.
Ela disse que era um colega de trabalho.
Disse que ela usou meu carro, meu combustível, meu fim de semana,
para comprar remédio para outro homem, e depois ele mandou ela pegar um táxi de volta.
Ela não respondeu.
Disse que o maior obstáculo na relação de vocês dois não sou eu,
é ele, que nem se atreve a vir pegar uma caixa de remédio para constipação.
Que ela nem consegue dizer uma verdade.
Peguei o celular, abri o documento de confirmação do pagamento final enviado pela empresa de casamentos ontem,
tirei uma captura de tela, abri a janela de conversa dela, enviei.
Disse que, ao voltar, eu queria discutir com ela sobre as flores do casamento.
Agora, não precisa mais.
No dia seguinte, enviei a captura do reembolso, com uma mensagem:
O valor do remédio não precisa mais ser devolvido.
Essa caixa de remédio para constipação foi um presente meu para ele.
Com o tempo seco, que ele beba bastante água quente.
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