Na semana passada fui à casa da minha irmã.


O filho dela tem cinco anos.
Desde que entrámos até à hora de jantar, ele não me disse uma palavra.
Os olhos dele não saíram do iPad.
Minha irmã disse-lhe para chamar o tio. Ele nem levantou a cabeça: Tio. A mão não parou.
Jantar. O iPad apoiado na frente do prato. Com uma mão come e com a outra assiste.
Minha irmã tirou o iPad. Ele começou a gritar. Não chorar, gritar.
Deixou-o voltar. Ficou quieto.
Perguntei: Desde quando começou?
Ela disse: Aos três anos. Na altura ela tinha um negócio e trabalhava até tarde.
A criança fazia birra, dava-lhe o telemóvel.
Quando não fazia birra, tinha que dar.
Ela disse: Sei que não é bom. Mas estou cansada.
Quando íamos embora, a criança estava no sofá a ver vídeos curtos.
O dedo dele deslizando mais rápido que o meu.
Ajoelhei-me: O tio foi embora.
Ele não tirou os olhos do ecrã: Tchau.
No elevador, minha irmã enviou uma mensagem.
“Ele fez exame de visão na semana passada. 0,3.”
Respondi: E depois?
“O médico disse para evitar o ecrã. Parou dois dias. No terceiro dia, eu estava em viagem de negócios, o pai dele levou-o. E deu-lhe o telemóvel de novo.”
A frase seguinte.
“Nós dois, ninguém fala com ninguém.”
E tu?
A primeira vez que o teu filho tocou no telemóvel, quantos anos tinha?
Quem deu?
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