O governo de São Paulo, Brasil, proibiu o registo de documentos que vinculam tokens a propriedades imobiliárias a pedido de um grupo de registos. A ação interrompe um mercado que opera numa zona cinzenta, que agora deve aguardar uma regulamentação adequada.
A cidade de São Paulo, Brasil, terá de parar de registar propriedades imobiliárias tokenizadas.
De acordo com o Valor Econômico, o Inspetor Geral de São Paulo, Francisco Eduardo Loeiro, decidiu proibir o registo de qualquer propriedade vinculada a um token de blockchain, uma decisão considerada uma vitória para os notários contra empresas envolvidas na tokenização imobiliária.
A decisão segue uma retirada anterior de uma resolução emitida pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), que buscava regulamentar o setor.

Flaviano Galhardo, diretor executivo do Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR), concorda com o desfecho, afirmando que isso esclarece os direitos económicos dos detentores de tokens imobiliários, separando a propriedade do token da propriedade real.
“O token pode representar contratos de investimento ou instrumentos financeiros, mas não pode induzir as pessoas a acreditarem que é um direito real de propriedade de um imóvel,” afirmou.
Para Galhardo, a introdução de um sistema paralelo de tokens poderia comprometer a segurança do sistema jurídico de 180 anos baseado no registo tradicional de imóveis.
Ele avaliou:
“O registo de imóveis hoje é o que dá lastro a toda a cadeia de produção imobiliária, que vai desde a construção civil até ao crédito imobiliário. Tudo é construído com base na segurança do registo de propriedade.”
O ONR pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que emita uma regulamentação para os tokens imobiliários, mas isso ainda não aconteceu. A decisão do inspetor geral é considerada uma regressão por insiders, pois interrompe uma indústria já operando numa zona cinzenta sem apresentar qualquer solução para a questão.
A capitalização de mercado do setor imobiliário residencial no Brasil ultrapassa os $106 bilhões, e está projetada para crescer até quase $139 bilhões até 2031, de acordo com a Mordor Intelligence.
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