A Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) na sua primeira reunião do FOMC em 2026 optou por manter-se inalterada, com o presidente da Fed, Jerome Powell, a lançar um sinal claro: enquanto a inflação não regressar totalmente à meta, a política monetária permanecerá paciente e cautelosa.
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A Reserva Federal dos EUA (Fed) concluiu em 28 de janeiro a sua primeira reunião do FOMC em 2026, decidindo manter a faixa-alvo da taxa de fundos federais entre 3,5% e 3,75%, marcando oficialmente a “pausa” no ciclo de cortes de juros. O presidente da Fed, Jerome Powell, destacou na conferência de imprensa que os fundamentos da economia americana permanecem sólidos, mas a inflação ainda não voltou ao nível desejado, e neste momento não há necessidade de reduzir ainda mais as taxas.
Esta decisão marca a primeira pausa no corte de juros desde julho de 2025. Em várias reuniões anteriores, a Fed já tinha reduzido as taxas de forma contínua, em incrementos de 25 pontos base, para responder ao arrefecimento da inflação e aos riscos de desaceleração económica.
O resultado da reunião mostrou que a maioria dos membros do FOMC considera que o nível atual das taxas é “adequado”, suficiente para conter a inflação enquanto mantém o impulso de crescimento económico. No entanto, dois membros — Chris Waller e Stephen Miran — defenderam uma redução imediata de 25 pontos base, indicando divergências internas quanto ao ritmo da política.
Powell afirmou na abertura que a economia dos EUA “está numa base sólida” em 2026, com atividade económica a continuar a expandir-se de forma estável. O crescimento do emprego, embora mais lento, mostra sinais de estabilização, indicando que o mercado de trabalho não está a deteriorar-se de forma evidente.
Quanto à inflação, Powell admitiu que ela “permanece elevada”, ainda não tendo regressado totalmente à meta de 2% definida pelo Fed. Contudo, também apontou que a inflação de serviços tem mostrado sinais de desaceleração em várias áreas, indicando que a tendência de desinflação (disinflation) continua. O Fed continuará atento às mudanças nos riscos relacionados à inflação e ao emprego, mantendo uma política flexível.
Sobre as preocupações externas relacionadas às tarifas, Powell afirmou que estas provavelmente causarão aumentos pontuais de preços, e não uma inflação sustentada provocada por uma procura excessiva. Ele espera que o impacto das tarifas nos preços dos bens atinja o pico este ano e comece a diminuir, ajudando o Fed a avaliar se há espaço para afrouxar a política.
Quanto à possibilidade de cortes futuros, Powell foi claro: o Fed não estabelecerá previamente “testes” ou limites específicos, e todas as decisões serão baseadas nos dados económicos subsequentes, adotando uma abordagem de “paciência”. Ele também destacou que os riscos de alta da inflação e de baixa do desemprego já diminuíram, apoiando em certa medida a política de manter as taxas “mais altas por mais tempo” (higher for longer).
Diante de pressões políticas e controvérsias relacionadas, Powell reiterou várias vezes que não comentará essas questões, reafirmando que o Fed manterá a sua independência, sem influência de fatores externos.
No geral, a fala de Powell demonstrou uma postura de “hawkish cauteloso”: por um lado, reconhecendo o desempenho económico e os avanços na redução da inflação, por outro, transmitindo claramente que não há pressa em cortar juros, baseando-se nos dados. Em comparação com o período de cortes contínuos anteriores, o tom desta reunião foi claramente de observação.
Alguns analistas preveem que, se a inflação continuar a diminuir, o Fed poderá fazer um corte de 25 pontos base ainda em 2026, possivelmente já em junho, embora o caminho de política permaneça cheio de incertezas.