Percebi um paradoxo interessante: todos falam sobre 300 mil milhões de dólares em stablecoins, mas quase ninguém entende realmente o que está a acontecer. Quem detém esse dinheiro? Quão rapidamente se movimenta? Em que redes operam? A Dune lançou recentemente um conjunto de dados sério juntamente com a Steakhouse Financial, e lá revela-se muito mais do que apenas números de volume.



De acordo com dados de janeiro de 2026, os 15 principais stablecoins na EVM, Solana e Tron atingiram 304 mil milhões de dólares. USDT e USDC continuam a dominar com 89% do mercado, mas 2025 mostrou que a concorrência realmente está a ganhar força. USDS cresceu 376%, PYUSD 753%, e RLUSD disparou de 58 milhões para 1,1 mil milhões — um crescimento de 1803%. Até novatos como USD1 surgiram do zero e chegaram a 5 mil milhões.

Mas aqui está o que é realmente interessante: 172 milhões de endereços detêm pelo menos um desses tokens. Parece impressionante, até olharmos para a concentração. USDT e USDC estão distribuídos de forma bastante uniforme — os 10 maiores carteiras detêm apenas 23-26% da oferta. Já USDS, USDF, USD0 — é uma história completamente diferente. 90% de USDS estão concentrados em dez carteiras, e em USD0 são 99%. Isso não significa que algo esteja errado, apenas que são projetos jovens ou resultado de uma estratégia consciente. Mas os dados devem ser interpretados com esse contexto em mente.

Em janeiro, o volume de transferências atingiu 10,3 trilhões de dólares — mais do que o dobro do ano anterior. E o que surpreende: a Base, onde há apenas 4,4 bilhões em oferta, lidera em transações com 5,9 trilhões. Ethereum — 2,4 trilhões. Isto mostra que a velocidade de circulação nas diferentes redes varia drasticamente.

USDC move-se quase cinco vezes mais rápido do que USDT, apesar de ter um volume três vezes menor. Na Base, a velocidade média diária de circulação do USDC atinge 14 vezes — isto é negociação de alta frequência na DeFi. Na Ethereum e Solana, cerca de uma vez por dia. E USDT na Ethereum — apenas 0,2 vezes — mais de 100 mil milhões simplesmente permanecem parados, sem se mover.

Quanto ao que esses tokens realmente fazem: 90% do volume passa por categorias de atividade identificadas. O maior cenário é a liquidez em DEX (5,9 trilhões). Depois, há a ligação com bolsas: depósitos, retiradas, transferências internas (cerca de 6 trilhões). Seguem-se operações de crédito, empréstimos, arbitragem. Os stablecoins são, acima de tudo, infraestrutura para comércio e pagamentos, e não apenas um meio de poupança.

E aqui está o que é especialmente interessante: o conjunto de dados não rastreia apenas stablecoins em dólares. Já há mais de 200 tokens representando 20+ moedas. Euro, real brasileiro, iene japonês, naira nigeriana, xelins quenianos, rands sul-africanos, liras turcas, rupias indonésias, dólares de Singapura. Ainda há apenas 1,2 mil milhões em stablecoins não dolarizados, mas já representam 59 tokens em seis continentes. A infraestrutura para moedas locais está a ser construída neste momento, e isso pode ser muito mais significativo do que parece à primeira vista. Quando se fala em 230 euros por naira ou outros pares de moedas cruzadas, fica claro que a blockchain abre possibilidades completamente novas para pagamentos globais, que antes eram simplesmente inacessíveis ou incrivelmente caros.
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