Recentemente, vi uma história sobre Guo Wanying e realmente vale a pena conversar com calma. Esta é a filha do fundador da Yong’an Department Store, Guo Biao: nascida em 1909 na Austrália e falecida em 1998 em Xangai, toda a vida dela parece como uma versão condensada de uma lendária história da República da China.



O que mais me marcou foi aquele momento — 1949. A família de Guo Wanying escolheu ir para os Estados Unidos, mas ela tomou uma decisão que, na altura, parecia mesmo louca: ficou. Afinal, naquela época ela já era uma jovem nobre, educada à ocidental, que estudara psicologia na Yenching University, e era casada com Wu Yuxiang, um talentoso estudante do MIT. Em 1934, o casamento em Xangai com “cem mesas” (a Shanghai Hundred-Table Wedding) causou grande alvoroço.

Mas a vida nunca segue o guião. O marido era infiel e viciado em jogos, e deixou uma dívida enorme de 140 mil. Em 1957, morreu por ter sido classificado como “direitista”. Guo Wanying ficou sozinha, com dois filhos. A partir daí, é difícil imaginar: salário mensal de 23 yuans; descontando 15 yuans de despesas de vida do filho, sobravam apenas 6 yuans para viver o mês inteiro. Comia frequentemente noodles de 8 cêntimos; vivia numa casinha de 7 metros quadrados com frestas, sem parar por falta de dignidade.

O que mais me tocou foi que a enviaram para fazer trabalhos pesados, como reparar estradas e limpar latrinas, mas ela nunca se queixou a uma mídia estrangeira. Quando tentaram transformar as dificuldades dela em material para uma narrativa, ela recusou. Tomava chá numa caneca de porcelana esmaltada, assava bolos na frigideira de alumínio e conduzia os dias com dignidade. Mais tarde, os filhos foram para os Estados Unidos; e ela, já com mais de 80 anos, vivia sozinha numa divisão sem aquecimento, mas ainda assim insistia em se arranjar e manter-se impecável.

Faleceu em 1998, aos 89 anos, doou o corpo e não deixou cinzas. Da “4.ª senhora” da Yong’an a operária que trabalha com lama e terra, Guo Wanying usou toda a vida para explicar o que é, de facto, o verdadeiro espírito nobre. Não é riqueza, mas serenidade e firmeza perante as dificuldades. Histórias como esta já se tornaram uma lenda imortal na Bund de Xangai.
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