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Recentemente revi a um dos casos mais selvagens da história das criptomoedas. Jimmy Zhong, um tipo que descobriu uma vulnerabilidade na Silk Road em 2012, conseguiu roubar mais de 51.000 bitcoins. Mas aqui vem o interessante: durante mais de uma década viveu como se nada tivesse acontecido.
Este personagem vinha de uma família de imigrantes que passou por muitas dificuldades. Na escola era vítima de bullying, mas encontrou refúgio nos livros e nos computadores. Tirou boas notas, ganhou bolsas de estudo prestigiosas. Depois descobriu o Bitcoin em 2009 e basicamente perdeu a cabeça. De repente tinha milhares de milhões de dólares em bitcoins e decidiu viver ao máximo.
Alugava jatos privados para que os amigos voassem a ver jogos de futebol. Dava 10.000 dólares a cada um para gastarem em Beverly Hills. Tinha dinheiro em todos os lados. A pergunta óbvia é: como é que não o apanharam antes?
Bem, aqui é onde a história fica interessante. Em março de 2019, um ladrão invadiu a casa dele e roubou 400.000 dólares em dinheiro e 150 bitcoins. Jimmy chamou a polícia. Até aí, normal. Mas quando os investigadores lhe perguntaram sobre todo esse dinheiro, cometeu um erro que o delatou: misturou 800 dólares desse dinheiro roubado com uma transação numa troca onde já tinha verificado a sua identidade.
Essa transação foi o fio que puxaram. O FBI começou a investigar e descobriu que Jimmy Zhong tinha estado a movimentar bitcoins da Silk Road. O fascinante é que pensava que o blockchain era anónimo, quando na realidade cada movimento fica gravado para sempre. Cada transação de Bitcoin deixa um rasto digital permanente.
Em novembro de 2021, as autoridades revistaram a sua casa. Onde encontraram a maior parte dos seus bitcoins? Numa lata de Cheetos. Sim, literalmente escondidos num computador dentro de um frasco de pipocas. Encontraram quase 50.000 bitcoins lá, juntamente com moedas Casascius e 700.000 dólares em dinheiro.
O que me fascina no caso de Jimmy Zhong é a lição que deixa. Muitas pessoas entram nas criptomoedas pensando que é o anonimato perfeito. Mas a verdade é que cada transação fica registada. Não importa quanto tempo passe, o rasto sempre leva a algum lado. No caso dele, levou diretamente à sua porta.
Recebeu um ano de prisão. Colaborou com as autoridades, devolveu os fundos, foi o seu primeiro delito. Mas o mais importante é que a sua história destruiu um mito: o blockchain não é anónimo. É o oposto. É o registo mais transparente que existe. Cada movimento que Jimmy Zhong faz em Bitcoin está lá, gravado para a eternidade, à espera de ser descoberto. Isso é o que a maioria das pessoas não entende sobre como estas coisas realmente funcionam.