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Recentemente ouvi um especialista em direito laboral explicar algo que muitas empresas ainda não têm claro: a nova lei de redução de jornada de trabalho no México vai aplicar-se a absolutamente todos, sem exceções. E quando digo todos, é a sério - trabalhadores presenciais, teletrabalho, confiança, não importa a categoria.
Rodrigo del Valle, sócio de uma firma especializada em direito laboral, foi bastante enfático sobre isto durante uma conversa recente. Esclareceu que nas discussões legislativas atuais não existem exceções por cargo nem por setor. Isso significa que, se trabalhas no escritório, em casa ou és empregado de confiança, a redução afeta-te da mesma forma.
O mais interessante é que, para os que trabalham em teletrabalho, a coisa também se aplica sem diferenças. A nova lei de redução de jornada de trabalho trará consigo a obrigação de manter registos eletrónicos de horários, e isso também será requisito para quem está em home office. Não há escapatória aí.
O especialista recomendou que as empresas não esperem até ao último momento. Sugeriu começar já com um diagnóstico sério dos esquemas atuais de jornadas e turnos em todas as áreas para identificar onde haverá maior impacto. Basicamente, é um exercício de planeamento que deve ser feito o quanto antes.
As principais recomendações que partilhou são bastante práticas: analisar os esquemas de jornada atuais, redistribuir carga de trabalho, avaliar se a equipa atual pode manter a produtividade, rever quanto tempo extra está a ser pago atualmente, ligar a compensação variável a indicadores de produtividade, e sobretudo, implementar tecnologia para tornar os processos mais eficientes.
O calendário é importante: a reforma constitucional prevê que, a partir de 1 de janeiro de 2027, comece o processo de redução gradual, diminuindo duas horas por ano até 2030. Isso significa que janeiro de 2027 não é uma data distante para começar a preparar-se. Del Valle foi claro ao afirmar que deixar isto para o último momento é um risco brutal.
A reforma em si tem vários eixos: jornada de 40 horas semanais com redução gradual, novo limite ao tempo extraordinário, proteção do salário durante a diminuição de horas, e proibição de que menores de 18 anos trabalhem horas extra. Uma vez que seja aprovada na Câmara Baixa, necessita do aval de 17 congressos locais para promulgar-se. Depois, o Congresso terá 90 dias para ajustar a Lei Federal do Trabalho, que é onde se especificarão os detalhes de como implementar na prática a nova lei de redução de jornada de trabalho.
A realidade é que as empresas que começarem a preparar-se agora terão vantagem. Quem deixar tudo para o último trimestre de 2026 vai ter um problema sério.