Os mercados globais de café encontram-se entre forças conflitantes a meados de fevereiro de 2026. Os contratos futuros de arábica apresentaram ganhos modestos devido a uma recuperação técnica, mas o panorama mais amplo do mercado revela obstáculos crescentes para os preços do café. O café brasileiro — que representa um pilar crítico do abastecimento global — enfrenta uma pressão crescente devido a uma perspetiva de excesso de oferta, mesmo com os padrões de precipitação a apoiar um desenvolvimento forte da colheita. A situação torna-se mais clara ao analisar a interação entre a expansão da produção global de café, as mudanças nos padrões de exportação e a recuperação dos níveis de inventário que, coletivamente, pesam no sentimento do mercado.
Precipitação em Minas Gerais impulsiona rendimentos, mas pressiona os preços
Os padrões climáticos recentes na principal região cafeeira do Brasil contam uma história de abundância agrícola que se transforma num desafio de preços. A Somar Meteorologia informou que Minas Gerais, lar da maior área de cultivo de arábica do país, recebeu 69,8mm de precipitação no final de janeiro — representando 117% da média histórica para esse período. Este excesso de humidade é indiscutivelmente positivo para os rendimentos e a saúde das colheitas de café.
No entanto, o paradoxo é claro: melhores colheitas traduzem-se diretamente em preços mais baixos. Os dados de precipitação explicam por que o café arábica teve dificuldades, apesar de uma cobertura técnica de curto prazo que elevou brevemente os preços para território positivo. Os preços do café recuaram na última semana, ante previsões que indicam precipitação constante na principal região de cultivo, reforçando as expectativas de uma oferta abundante de café a chegar ao mercado. Essa abundância de oferta torna-se uma pressão baixista sobre os preços, apesar do potencial de produção mais elevado.
A Conab, agência oficial de previsão de safra do Brasil, ampliou essas preocupações a 4 de dezembro, ao aumentar a sua estimativa de produção total de café brasileiro em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, em comparação com uma projeção de setembro de 55,20 milhões de sacos. Esse crescimento de produção — embora economicamente positivo para os produtores — cria riscos de baixa para os preços num mercado já competitivo.
Surto de robusta no Vietname pesa sobre o mercado global
Enquanto o café brasileiro enfrenta uma expansão de oferta, o Vietname intensifica a pressão de mercado ao aumentar dramaticamente a sua própria produção. O Vietname, maior produtor mundial de robusta, reportou exportações em alta no início de 2025, que saltaram 17,5% em relação ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname.
A tendência vai além das exportações atuais. A produção de café do Vietname em 2025/26 está projetada para subir 6% em relação ao ano anterior, atingindo 1,76 milhões de toneladas métricas — equivalente a 29,4 milhões de sacos, marcando um recorde de quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname (Vicofa) indicou que a produção poderia aumentar mais 10% se as condições climáticas permanecerem favoráveis, elevando a possibilidade de condições ainda mais apertadas para os contratos de robusta.
Essa expansão vietnamita desafia diretamente os preços da robusta, que já recuaram para mínimos de quatro semanas. O contrato de robusta de março na ICE caiu 92 pontos, para uma queda de 2,24%, refletindo essa pressão competitiva. A dinâmica de oferta entre a expansão do arábica no Brasil e o aceleramento da robusta no Vietname cria uma dupla resistência para os negociantes de café.
Inventário abundante em recuperação sinaliza mais obstáculos de preço
Os níveis globais de inventário de café contam uma história secundária importante sobre a direção dos preços. Os inventários de arábica monitorizados pela ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos em novembro, sugerindo escassez. No entanto, essa escassez revelou-se temporária. Até meados de janeiro, os estoques de arábica recuperaram para 461.829 sacos — um máximo de 2,5 meses que reverteu qualquer urgência de oferta.
A dinâmica de inventário de robusta seguiu um padrão semelhante. Após atingir um mínimo de um ano de 4.012 lotes no início de dezembro, os estoques de robusta recuperaram para 4.609 lotes no final de janeiro. O padrão de reposição de inventário, combinado com aumentos nas previsões de produção, reforça o cenário baixista para os preços. Quando os armazéns estão a encher em vez de esvaziar, isso indica que o equilíbrio do mercado ocorrerá a níveis de preço mais baixos.
Tendências de exportação revelam desequilíbrios na produção
A atividade de exportação de café brasileiro fornece uma visão em tempo real sobre a dinâmica de oferta. A Cecafe reportou que as exportações de café verde do Brasil em dezembro caíram 18,4%, para 2,86 milhões de sacos. Dentro dessa queda, as exportações de arábica diminuíram 10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos, enquanto as de robusta despencaram 61%, para 222.147 sacos.
Essa contração nas remessas de café brasileiro pode parecer favorável aos preços isoladamente. No entanto, reflete efeitos de timing mais do que uma escassez estrutural de oferta. A Organização Internacional do Café (OIC) confirmou essa realidade a 7 de novembro, ao indicar que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual diminuíram apenas 0,3%, para 138,658 milhões de sacos — indicando fluxos de oferta global notavelmente estáveis, apesar das flutuações nas exportações brasileiras.
Surto de produção global aponta para pressão prolongada
O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou uma perspetiva de longo prazo preocupante a 18 de dezembro, com as suas projeções de mercado para 2025/26. A produção mundial de café deve aumentar 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. Embora a produção de arábica esteja projetada para diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, a robusta deverá subir 10,9%, para 83,333 milhões de sacos — criando uma mudança estrutural na composição da oferta global.
Para o café brasileiro especificamente, o FAS projeta que a produção de 2025/26 diminuirá 3,1% em relação ao ano anterior, para 63 milhões de sacos. No entanto, essa redução é menor do que a contração do arábica global e reflete a contínua dominância do Brasil, apesar da retração. Por outro lado, a produção do Vietname deve atingir 30,8 milhões de sacos — um aumento de 6,2% e um máximo de quatro anos, aprofundando a pressão competitiva.
Mais preocupante para o suporte de preços: os estoques finais globais para 2025/26 estão projetados para cair apenas 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25. Essa modesta redução nas reservas totais significa que as pressões de excedente persistirão e irão gradualmente se refletir no mercado nos próximos meses.
A convergência desses fatores — precipitação abundante apoiando os rendimentos do café brasileiro, recordes de produção, expansão da oferta vietnamita e níveis de inventário estáveis — cria um ambiente desafiador para a valorização dos preços. Os negociantes de café devem ajustar as expectativas para baixo, pois a dinâmica de oferta global permanece decididamente baixista, apesar da recuperação técnica de curto prazo observada nos futuros de arábica.
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Café brasileiro sob pressão: aumento da oferta diminui as perspetivas de preço
Os mercados globais de café encontram-se entre forças conflitantes a meados de fevereiro de 2026. Os contratos futuros de arábica apresentaram ganhos modestos devido a uma recuperação técnica, mas o panorama mais amplo do mercado revela obstáculos crescentes para os preços do café. O café brasileiro — que representa um pilar crítico do abastecimento global — enfrenta uma pressão crescente devido a uma perspetiva de excesso de oferta, mesmo com os padrões de precipitação a apoiar um desenvolvimento forte da colheita. A situação torna-se mais clara ao analisar a interação entre a expansão da produção global de café, as mudanças nos padrões de exportação e a recuperação dos níveis de inventário que, coletivamente, pesam no sentimento do mercado.
Precipitação em Minas Gerais impulsiona rendimentos, mas pressiona os preços
Os padrões climáticos recentes na principal região cafeeira do Brasil contam uma história de abundância agrícola que se transforma num desafio de preços. A Somar Meteorologia informou que Minas Gerais, lar da maior área de cultivo de arábica do país, recebeu 69,8mm de precipitação no final de janeiro — representando 117% da média histórica para esse período. Este excesso de humidade é indiscutivelmente positivo para os rendimentos e a saúde das colheitas de café.
No entanto, o paradoxo é claro: melhores colheitas traduzem-se diretamente em preços mais baixos. Os dados de precipitação explicam por que o café arábica teve dificuldades, apesar de uma cobertura técnica de curto prazo que elevou brevemente os preços para território positivo. Os preços do café recuaram na última semana, ante previsões que indicam precipitação constante na principal região de cultivo, reforçando as expectativas de uma oferta abundante de café a chegar ao mercado. Essa abundância de oferta torna-se uma pressão baixista sobre os preços, apesar do potencial de produção mais elevado.
A Conab, agência oficial de previsão de safra do Brasil, ampliou essas preocupações a 4 de dezembro, ao aumentar a sua estimativa de produção total de café brasileiro em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, em comparação com uma projeção de setembro de 55,20 milhões de sacos. Esse crescimento de produção — embora economicamente positivo para os produtores — cria riscos de baixa para os preços num mercado já competitivo.
Surto de robusta no Vietname pesa sobre o mercado global
Enquanto o café brasileiro enfrenta uma expansão de oferta, o Vietname intensifica a pressão de mercado ao aumentar dramaticamente a sua própria produção. O Vietname, maior produtor mundial de robusta, reportou exportações em alta no início de 2025, que saltaram 17,5% em relação ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname.
A tendência vai além das exportações atuais. A produção de café do Vietname em 2025/26 está projetada para subir 6% em relação ao ano anterior, atingindo 1,76 milhões de toneladas métricas — equivalente a 29,4 milhões de sacos, marcando um recorde de quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname (Vicofa) indicou que a produção poderia aumentar mais 10% se as condições climáticas permanecerem favoráveis, elevando a possibilidade de condições ainda mais apertadas para os contratos de robusta.
Essa expansão vietnamita desafia diretamente os preços da robusta, que já recuaram para mínimos de quatro semanas. O contrato de robusta de março na ICE caiu 92 pontos, para uma queda de 2,24%, refletindo essa pressão competitiva. A dinâmica de oferta entre a expansão do arábica no Brasil e o aceleramento da robusta no Vietname cria uma dupla resistência para os negociantes de café.
Inventário abundante em recuperação sinaliza mais obstáculos de preço
Os níveis globais de inventário de café contam uma história secundária importante sobre a direção dos preços. Os inventários de arábica monitorizados pela ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos em novembro, sugerindo escassez. No entanto, essa escassez revelou-se temporária. Até meados de janeiro, os estoques de arábica recuperaram para 461.829 sacos — um máximo de 2,5 meses que reverteu qualquer urgência de oferta.
A dinâmica de inventário de robusta seguiu um padrão semelhante. Após atingir um mínimo de um ano de 4.012 lotes no início de dezembro, os estoques de robusta recuperaram para 4.609 lotes no final de janeiro. O padrão de reposição de inventário, combinado com aumentos nas previsões de produção, reforça o cenário baixista para os preços. Quando os armazéns estão a encher em vez de esvaziar, isso indica que o equilíbrio do mercado ocorrerá a níveis de preço mais baixos.
Tendências de exportação revelam desequilíbrios na produção
A atividade de exportação de café brasileiro fornece uma visão em tempo real sobre a dinâmica de oferta. A Cecafe reportou que as exportações de café verde do Brasil em dezembro caíram 18,4%, para 2,86 milhões de sacos. Dentro dessa queda, as exportações de arábica diminuíram 10% em relação ao ano anterior, para 2,6 milhões de sacos, enquanto as de robusta despencaram 61%, para 222.147 sacos.
Essa contração nas remessas de café brasileiro pode parecer favorável aos preços isoladamente. No entanto, reflete efeitos de timing mais do que uma escassez estrutural de oferta. A Organização Internacional do Café (OIC) confirmou essa realidade a 7 de novembro, ao indicar que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual diminuíram apenas 0,3%, para 138,658 milhões de sacos — indicando fluxos de oferta global notavelmente estáveis, apesar das flutuações nas exportações brasileiras.
Surto de produção global aponta para pressão prolongada
O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA apresentou uma perspetiva de longo prazo preocupante a 18 de dezembro, com as suas projeções de mercado para 2025/26. A produção mundial de café deve aumentar 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. Embora a produção de arábica esteja projetada para diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, a robusta deverá subir 10,9%, para 83,333 milhões de sacos — criando uma mudança estrutural na composição da oferta global.
Para o café brasileiro especificamente, o FAS projeta que a produção de 2025/26 diminuirá 3,1% em relação ao ano anterior, para 63 milhões de sacos. No entanto, essa redução é menor do que a contração do arábica global e reflete a contínua dominância do Brasil, apesar da retração. Por outro lado, a produção do Vietname deve atingir 30,8 milhões de sacos — um aumento de 6,2% e um máximo de quatro anos, aprofundando a pressão competitiva.
Mais preocupante para o suporte de preços: os estoques finais globais para 2025/26 estão projetados para cair apenas 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25. Essa modesta redução nas reservas totais significa que as pressões de excedente persistirão e irão gradualmente se refletir no mercado nos próximos meses.
A convergência desses fatores — precipitação abundante apoiando os rendimentos do café brasileiro, recordes de produção, expansão da oferta vietnamita e níveis de inventário estáveis — cria um ambiente desafiador para a valorização dos preços. Os negociantes de café devem ajustar as expectativas para baixo, pois a dinâmica de oferta global permanece decididamente baixista, apesar da recuperação técnica de curto prazo observada nos futuros de arábica.