## A Pressão da Seca no Brasil Mantém os Preços do Café em Máximas de Semanas Hoje



Hoje, os movimentos de preços do café refletem preocupações crescentes sobre os estoques globais de grãos. Os contratos futuros de Arabica para entrega em março subiram 0,17%, enquanto os contratos de robusta aumentaram 0,48%, com a arabica atingindo seu ponto mais alto em quatro semanas. Essa trajetória ascendente resulta de múltiplas pressões nas regiões de produção e dos fundamentos do mercado.

### Escassez de Chuva Ameaça os Estoques de Arabica

O principal fator por trás da força atual dos preços do café é a precipitação inadequada nas regiões de cultivo principais do Brasil. Minas Gerais, que fornece a maior parte dos grãos de arabica do mundo, recebeu apenas 47,9 mm de chuva na semana que terminou em 2 de janeiro—representando apenas 67% de sua norma sazonal. Esse déficit de chuva está agravando as preocupações de oferta em um momento crítico para os estoques globais de café.

A moeda brasileira também se tornou um fator de mercado. O real se valorizou até atingir uma máxima de um mês contra o dólar, reduzindo a competitividade das exportações brasileiras de café internacionalmente e oferecendo suporte adicional às avaliações da arabica.

### Surto de Robusta no Vietnã Cria Sinais Mistas

O Vietnã, o maior produtor mundial de robusta, tem expandido rapidamente seus embarques. As exportações de café do país aumentaram 17,5% em relação ao ano anterior em 2025, atingindo 1,58 milhão de toneladas métricas, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas. As previsões de produção para 2025/26 agora sugerem um aumento de 6% para 1,76 milhão de toneladas métricas (29,4 milhões de sacos)—a maior produção em quatro anos. A Associação de Café e Cacau do Vietnã projeta que a produção potencial pode subir mais 10% se o clima favorável persistir.

Esse aumento na oferta de robusta está impedindo rallies de preços mais dramáticos, embora os ganhos de robusta permaneçam modestos em comparação com o momentum da arabica.

### Dinâmica de Estoques nos Armazéns

Os níveis de estoque nos armazéns estão enviando sinais conflitantes. O estoque de arabica nas instalações monitoradas pela ICE caiu para um mínimo de 1,75 anos, com 398.645 sacos em novembro, antes de se recuperar para 461.829 sacos no final de dezembro—ainda restrito. Os estoques de robusta atingiram o fundo de 4.012 lotes no início de dezembro, antes de subir para 4.278 lotes no final do ano. Esses estoques mais apertados do que o normal oferecem suporte aos preços, apesar das previsões de aumento na produção global.

### Disrupções nas Importações dos EUA Aumentam a Incertidão

Os estoques de café nos EUA permanecem significativamente baixos após disrupções nas importações relacionadas a tarifas. Entre agosto e outubro, quando tarifas elevadas sobre o café brasileiro estavam em vigor, as importações dos EUA do Brasil caíram 52% em relação ao ano anterior, totalizando apenas 983.970 sacos. Embora as tarifas tenham sido reduzidas, os volumes de importação ainda não se recuperaram totalmente, deixando a maior nação consumidora de café do mundo com buffers de estoque limitados.

### Crescimento da Produção versus Realidade da Demanda

A agência de previsão de safra do Brasil, Conab, aumentou sua estimativa de colheita para 2025 em 2,4% em dezembro, agora projetando 56,54 milhões de sacos contra 55,20 milhões de sacos previstos em setembro. O USDA projeta que a produção global de café para 2025/26 aumentará 2%, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos—mas isso mascara uma mudança crucial. A produção de arabica deve cair 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a robusta sobe 10,9%, para 83,333 milhões de sacos.

O Brasil enfrenta especificamente uma resistência, com sua previsão de produção para 2025 revisada para baixo em 3,1%, para 63 milhões de sacos, enquanto a produção do Vietnã deve subir 6,2%, para 30,8 milhões de sacos.

### Panorama da Oferta Global

A Organização Internacional do Café informou que as exportações mundiais de café para o ano de comercialização atual caíram 0,3% em relação ao ano anterior, totalizando 138,658 milhões de sacos. Olhando para o futuro, os estoques globais finais de 2025/26 estão projetados para diminuir 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, em comparação com 21,307 milhões de sacos na temporada anterior.

Esses indicadores de restrição estrutural sugerem que a força dos preços do café hoje pode persistir, apesar das previsões de produção abundante a curto prazo. A transição para o domínio do robusta, combinada com a redução na disponibilidade de arabica e buffers de importação menores nos EUA, cria um ambiente onde eventos climáticos no Brasil continuam a comandar a atenção do mercado e a apoiar as avaliações.
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