Futuros de café apresentaram desempenho divergente esta semana, com o café arábica de março a descer -0,55% enquanto os contratos de robusta de janeiro subiram +1,06%, refletindo uma incerteza mais ampla no mercado global de café. Estes movimentos de preço surgem enquanto os traders digerem narrativas de oferta concorrentes nas principais regiões produtoras do mundo.
A commodity enfrenta obstáculos estruturais devido às previsões de produção robusta. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA informou que a produção mundial de café em 2025/26 deverá atingir um recorde de 178,848 milhões de sacos, representando um aumento de +2,0% em relação ao ano anterior. Dentro deste crescimento agregado, a produção de arábica deve diminuir -4,7% para 95,515 milhões de sacos, enquanto a produção de robusta deverá aumentar +10,9% para 83,333 milhões de sacos. Essas tendências divergentes criaram uma narrativa de dois mercados dentro do complexo global de café.
Tendências Regionais de Produção e Exportação
Vietname, o maior produtor mundial de robusta, continua a expandir sua presença de forma agressiva. A previsão de produção de café do país para 2025/26 é de 1,76 MMT (29,4 milhões de sacos), atingindo o maior nível em 4 anos. Dados recentes de exportação reforçam esse impulso—as remessas de café de novembro do Vietname aumentaram +39% em relação ao ano anterior, atingindo 88.000 MT, com as exportações de janeiro a novembro crescendo +14,8% em relação ao ano anterior, totalizando 1,398 MMT.
Brasil, por sua vez, enfrenta desafios de produção apesar de revisões otimistas anteriores. A Conab, agência oficial de previsão de safra do país, elevou sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos em dezembro, embora o USDA tenha posteriormente projetado uma queda de -3,1% para 2025/26, chegando a 63 milhões de sacos. A maior região produtora de arábica do Brasil, Minas Gerais, recebeu apenas 76% da sua média histórica de precipitação durante a semana encerrada em 19 de dezembro, levantando preocupações sobre o desenvolvimento da safra.
Impacto do Clima e Disrupções na Oferta
A Indonésia surge como uma variável crítica de oferta após recentes interrupções climáticas. Inundações generalizadas danificaram aproximadamente um terço das fazendas de arábica no norte de Sumatra, levando a Associação de Exportadores e Indústrias de Café da Indonésia a alertar para possíveis reduções de exportação de até 15% na temporada 2025-26. Como o terceiro maior produtor mundial de robusta, o choque de oferta da Indonésia tem implicações de mercado de grande impacto.
Pressões do Lado da Demanda e Dinâmicas de Inventário
Os padrões de compra de café nos EUA revelam distorções persistentes induzidas por tarifas. Os compradores americanos reduziram as compras de café brasileiro em 52% durante o período de agosto a outubro, quando as tarifas da era Trump estavam em vigor, caindo para 983.970 sacos em comparação ao ano anterior. Embora as tarifas tenham sido posteriormente reduzidas, os estoques de café nos EUA permanecem restritos.
As reservas monitoradas pelo ICE apresentam sinais mistos. Os estoques de arábica caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos em 20 de novembro, antes de se recuperarem para 456.477 sacos, enquanto os estoques de robusta atingiram um mínimo de 11,5 meses, de 4.012 lotes, antes de se recuperarem ligeiramente. A Organização Internacional do Café informou que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual (outubro-setembro) diminuíram 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, indicando condições de mercado mais apertadas.
Perspectivas Futuras
O USDA projetou que os estoques finais de café de 2025/26 irão contrair -5,4%, para 20,148 milhões de sacos, em comparação aos 21,307 milhões de sacos do ano anterior, sugerindo uma pressão contínua na oferta apesar dos níveis de produção quase recordes. Para os traders que monitoram as cotações de café, a interação entre a produção global recorde e os estoques em retração provavelmente continuará sendo a variável crítica que determinará a direção dos preços pelo restante do ano de comercialização.
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Cotações globais do café enfrentam pressão em meio a sinais mistos de oferta e volatilidade climática
Desempenho de Mercado e Dinâmicas de Oferta
Futuros de café apresentaram desempenho divergente esta semana, com o café arábica de março a descer -0,55% enquanto os contratos de robusta de janeiro subiram +1,06%, refletindo uma incerteza mais ampla no mercado global de café. Estes movimentos de preço surgem enquanto os traders digerem narrativas de oferta concorrentes nas principais regiões produtoras do mundo.
A commodity enfrenta obstáculos estruturais devido às previsões de produção robusta. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA informou que a produção mundial de café em 2025/26 deverá atingir um recorde de 178,848 milhões de sacos, representando um aumento de +2,0% em relação ao ano anterior. Dentro deste crescimento agregado, a produção de arábica deve diminuir -4,7% para 95,515 milhões de sacos, enquanto a produção de robusta deverá aumentar +10,9% para 83,333 milhões de sacos. Essas tendências divergentes criaram uma narrativa de dois mercados dentro do complexo global de café.
Tendências Regionais de Produção e Exportação
Vietname, o maior produtor mundial de robusta, continua a expandir sua presença de forma agressiva. A previsão de produção de café do país para 2025/26 é de 1,76 MMT (29,4 milhões de sacos), atingindo o maior nível em 4 anos. Dados recentes de exportação reforçam esse impulso—as remessas de café de novembro do Vietname aumentaram +39% em relação ao ano anterior, atingindo 88.000 MT, com as exportações de janeiro a novembro crescendo +14,8% em relação ao ano anterior, totalizando 1,398 MMT.
Brasil, por sua vez, enfrenta desafios de produção apesar de revisões otimistas anteriores. A Conab, agência oficial de previsão de safra do país, elevou sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos em dezembro, embora o USDA tenha posteriormente projetado uma queda de -3,1% para 2025/26, chegando a 63 milhões de sacos. A maior região produtora de arábica do Brasil, Minas Gerais, recebeu apenas 76% da sua média histórica de precipitação durante a semana encerrada em 19 de dezembro, levantando preocupações sobre o desenvolvimento da safra.
Impacto do Clima e Disrupções na Oferta
A Indonésia surge como uma variável crítica de oferta após recentes interrupções climáticas. Inundações generalizadas danificaram aproximadamente um terço das fazendas de arábica no norte de Sumatra, levando a Associação de Exportadores e Indústrias de Café da Indonésia a alertar para possíveis reduções de exportação de até 15% na temporada 2025-26. Como o terceiro maior produtor mundial de robusta, o choque de oferta da Indonésia tem implicações de mercado de grande impacto.
Pressões do Lado da Demanda e Dinâmicas de Inventário
Os padrões de compra de café nos EUA revelam distorções persistentes induzidas por tarifas. Os compradores americanos reduziram as compras de café brasileiro em 52% durante o período de agosto a outubro, quando as tarifas da era Trump estavam em vigor, caindo para 983.970 sacos em comparação ao ano anterior. Embora as tarifas tenham sido posteriormente reduzidas, os estoques de café nos EUA permanecem restritos.
As reservas monitoradas pelo ICE apresentam sinais mistos. Os estoques de arábica caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos em 20 de novembro, antes de se recuperarem para 456.477 sacos, enquanto os estoques de robusta atingiram um mínimo de 11,5 meses, de 4.012 lotes, antes de se recuperarem ligeiramente. A Organização Internacional do Café informou que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual (outubro-setembro) diminuíram 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, indicando condições de mercado mais apertadas.
Perspectivas Futuras
O USDA projetou que os estoques finais de café de 2025/26 irão contrair -5,4%, para 20,148 milhões de sacos, em comparação aos 21,307 milhões de sacos do ano anterior, sugerindo uma pressão contínua na oferta apesar dos níveis de produção quase recordes. Para os traders que monitoram as cotações de café, a interação entre a produção global recorde e os estoques em retração provavelmente continuará sendo a variável crítica que determinará a direção dos preços pelo restante do ano de comercialização.