A ameaça quântica ao Bitcoin é real e está mais perto do que parece, diz um físico laureado com o Nobel

CoinDesk
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Um físico laureado com um Prémio Nobel que ajudou a construir os computadores quânticos da Google alertou que o Bitcoin BTC$68,399.76 pode estar entre os primeiros alvos reais desta tecnologia.

Numa entrevista à CoinDesk, o Dr. John M. Martinis disse que a investigação recente da Google que mostra como um computador quântico poderia quebrar a encriptação do bitcoin em minutos deve ser levada a sério.

“Penso que é um artigo muito bem escrito. Mostra onde estamos neste momento”, disse Martinis, referindo-se ao trabalho mais recente da Google sobre ameaças quânticas à criptografia. “Não é algo com probabilidade zero; as pessoas têm de lidar com isto.”

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O artigo da Google descreve como um computador quântico suficientemente avançado poderia derivar uma chave privada de bitcoin a partir da sua chave pública, potencialmente em minutos, reduzindo drasticamente a barreira computacional que actualmente protege a rede, salientou Martinis, acrescentando que este é um dos problemas que deve ser levado mais a sério…

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Embora a ideia de computadores quânticos quebrarem a encriptação seja frequentemente enquadrada como algo distante ou teórico, Martinis disse que uma das primeiras aplicações práticas pode estar bem mais próxima.

Frutos mais fáceis para computadores quânticos

“Vê-se que quebrar criptografia é uma das aplicações mais fáceis para a computação quântica, porque é muito numérica”, disse. “São algoritmos menores e mais fáceis. Os frutos mais fáceis.”

Isso coloca o bitcoin, que depende da criptografia de curvas elípticas, directamente na linha de fogo, sugeriu Martinis, confirmando o que o artigo da Google alerta.

Ao contrário dos sistemas financeiros tradicionais, que podem migrar para padrões de encriptação resistentes ao quântico, o bitcoin enfrenta um desafio mais complexo. A sua estrutura descentralizada e o seu desenho histórico tornam as actualizações mais lentas e mais controversas, disse o vencedor do Prémio Nobel.

“Pode ir para códigos resistentes ao quântico” em bancos e noutros sistemas, disse Martinis. “O Bitcoin é um pouco diferente, razão pela qual as pessoas devem estar a pensar nisto agora mesmo.”

A preocupação centra-se numa janela de vulnerabilidade específica. Quando uma transacção de bitcoin é divulgada, a sua chave pública torna-se visível antes de ser confirmada onchain, explicou Martinis. Um computador quântico poderoso poderia, em teoria, usar essa janela para derivar a chave privada correspondente e redireccionar fundos antes do acerto final, apontou.

No entanto, Martinis alertou para que não se assuma que a ameaça é iminente. Construir um computador quântico capaz de executar um ataque desses continua a ser um dos desafios de engenharia mais difíceis da ciência moderna.

“Penso que vai ser mais difícil construir um computador quântico do que as pessoas estão a pensar”, disse, apontando para grandes obstáculos ao escalar, à fiabilidade e à correcção de erros.

Sem razão para inactividade

As estimativas sobre quando poderão surgir máquinas quânticas relevantes do ponto de vista criptográfico variam muito. Martinis sugeriu uma janela aproximada de cinco a dez anos, mas alertou que a incerteza não é uma razão para não agir.

“Dadas as consequências sérias, lida-se com isso. Tens tempo, mas tens de trabalhar nisso”, disse.

O aviso destaca uma mudança crescente dentro da comunidade de investigação quântica, em que os cientistas estão cada vez mais a assinalar riscos para sistemas criptográficos existentes, ao mesmo tempo que ocultam detalhes técnicos sensíveis — uma estratégia retirada das práticas tradicionais de divulgação de cibersegurança.

Tanto para programadores de bitcoin como para investidores, a mensagem está a tornar-se mais difícil de ignorar.

“A comunidade cripto tem de planear isto”, disse Martinis. “É um problema sério que tem de ser tratado.”

Martinis é um físico laureado com o Prémio Nobel de 2025, reconhecido pelo seu trabalho em fenómenos quânticos macroscópicos, e é amplamente conhecido por liderar o programa de hardware quântico da Google, incluindo o experimento de “supremacia quântica” de 2019. Actualmente, é CTO e co-fundador da Qolab, uma empresa de hardware que desenvolve computadores quânticos superconductores de escala utilitária.

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