Eu trabalhei por meio ano em um centro de entregas, já vi uma das situações mais absurdas às três da manhã.


Um homem veio buscar uma encomenda de carro, com o nome de uma mulher.
Seguimos as regras e não podemos pegar para terceiros, ele colocou a carteira de identidade na mesa e disse que era o marido dela.
Eu olhei, o endereço de envio era no mesmo condomínio, o endereço de recebimento também era no mesmo condomínio.
Perguntei por que enviar uma encomenda para o mesmo condomínio.
Ele disse que era porque ela não queria receber pessoalmente.
Procurei a encomenda, era uma caixinha pequena, mexi nela e não fez som.
Ele abriu na hora, dentro havia um cartão bancário, um cartão de salário de dez anos atrás, com uma carta de desculpas escrita no verso.
Ele disse que ao longo dos anos, toda vez que se desculpava, era xingado, e depois não tinha coragem de falar pessoalmente, então escrevia a desculpa na carta e enviava pelo correio, enviou por dez anos.
Hoje, essa seria a última vez —
Esse cartão foi entregue por ele no ano em que se casou, para ela guardar, ela disse que não precisava,
ele depositava dinheiro nele todo mês, pensando que um dia ela usaria esse cartão para pagar a entrada de uma casa.
O entregador novo ao lado disse: você roubou o cartão de alguém?
Ele não respondeu.
O segurança do condomínio ao lado acrescentou: aquela mulher é a mãe dele,
ano passado, quando assumiram o controle do armário de entregas do condomínio, foi ela quem pediu para deixar as devoluções aqui.
Ele virou o recibo do pacote, no verso estava uma impressão do condomínio de ontem:
Devolução não recebida, por favor, trate até o final do mês, após o prazo será destruída.
O segurança ao lado pegou um novo recibo, fez o registro de recebimento do cartão, com a observação:
O chefe não precisa mais destruir,
hoje finalmente alguém veio buscar esse cartão.
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