Qual foi a coisa mais louca que você já fez? Ela fez — numa noite de tempestade, em um hotel vazio, falar ativamente para um estranho que conheceu há três horas: Quero fazer amor com você.


Às três da manhã, eu estava de plantão na recepção do hotel. Ela entrou empurrando a porta, com as rodas da mala cheias de água, a chuva caindo forte lá fora. Ela disse que não tinha reserva, o telefone tinha acabado a bateria, se poderia ficar uma noite primeiro, e amanhã ela pagaria.
Depois de verificar a identidade, percebi que ela morava a apenas uma rua de distância. Perguntei por que não voltava para casa tão perto. Ela disse que tinha ido a uma entrevista de emprego, foi rejeitada, e não queria que a mãe visse seus olhos vermelhos.
Eu lhe dei um quarto, e ao entregar o cartão, ela perguntou quantos quartos ainda estavam disponíveis.
Eu disse que ela era a única hóspede naquela noite.
Ela pediu para conversar um pouco, dizendo que tinha medo de chorar sozinha se ficasse sozinha.
Levei-a ao terraço no topo do prédio, a chuva tinha acabado de parar, e toda a cidade parecia molhada como se estivesse chorando.
Ela se agachou na beirada do corrimão e disse que tinha feito entrevista por três meses, e hoje essa empresa achava que, com trinta anos, ela ainda não era casada.
Cada vez que ela ia a um encontro arranjado, o homem perguntava por que, com essa idade, ela ainda estava procurando emprego.
Eu disse que também tinha trinta anos, era solteiro, e trabalhava de noite nessa idade.
Ela riu e disse que a mãe nem se dava ao trabalho de ligar, já marcou um encontro para amanhã.
Ela disse que não queria ir.
Eu queria fazer algo que minha mãe nunca aprovaria.
Ela se levantou, puxou o cabelo molhado para trás das orelhas, olhou para mim e disse — Quero fazer amor com você.
Fiquei surpreso.
Ela não evitou, continuou falando.
Disse que naquela noite poderia ter voltado para casa, mas não voltou.
Que poderia não contar que foi rejeitada, mas já tinha dito.
Que não queria mais ser aquela pessoa sempre obediente, só queria escolher por si mesma uma vez.
Depois de falar, ela sorriu e disse que era a primeira vez na vida que, ao dizer “quero”, não chorou depois.
No meio-dia do dia seguinte, ela fez o check-out, deixou a identidade na recepção.
Quando saí correndo atrás, ela estava atendendo uma ligação, falando baixinho, dizendo que não ia mais ao encontro de hoje, que explicaria para a mãe.
Depois de desligar, me viu e ficou um instante paralisada.
Entreguei a identidade a ela, ela disse que eu não tinha dormido na noite passada.
Eu disse que, de plantão, não dava para dormir.
Ela disse que, quando eu fosse embora, ela dormiria um pouco.
Eu concordei.
Ela deu alguns passos e voltou, me perguntou qual era meu nome.
Eu disse.
Ela salvou esses três caracteres na agenda, com a anotação: a primeira pessoa que ouviu ela dizer “não quero” e não tentou convencê-la.
Depois, ela me enviou uma mensagem dizendo que o que aconteceu na noite passada não foi um caso de amor de uma noite, mas uma estrada que ela escolheu por si mesma.
Respondi que essa estrada ainda não acabou, e na frente há uma loja de café da manhã com um leite de soja muito doce, que na próxima vez que ela passar, podemos ir lá tomar, independentemente de passar ou não.
Ela respondeu com um “bom” e enviou uma foto, na qual ela está na porta da loja de café da manhã, segurando uma xícara de leite de soja para viagem, com uma frase escrita com caneta:
Essa xícara foi comprada por mim.
Na próxima, você paga.
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