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Warren Buffett se aposenta, Greg Abel assume a liderança da Berkshire Hathaway após 100 dias: a forma de administrar o império de investimentos está sendo reescrita
Berkshire Hathaway’s new CEO Greg Abel completou seus primeiros cem dias no cargo, demonstrando um estilo de gestão mais assertivo do que o de Buffett. Ele reiniciou o programa de recompra de ações, redefiniu Apple e outras três empresas como os principais investimentos.
De acordo com o Wall Street Journal, em menos de 100 dias após assumir o comando, essa gigante de investimentos criada por Warren Buffett há décadas já começou a mostrar mudanças evidentes. Para o mercado, Greg Abel não é apenas o sucessor designado por Buffett, mas uma figura que decidirá a alocação de capital, a governança das subsidiárias e o estilo de investimento da Berkshire nos próximos dez anos.
O sucessor de Buffett, CEO da Berkshire Hathaway, Greg Abel, aos 63 anos
Greg Abel tem 63 anos e assumiu oficialmente como CEO da Berkshire em janeiro deste ano. Embora ele tenha reiterado que a cultura, os valores, a base do negócio de seguros, a estrutura corporativa e o modelo de gestão de carteira de ações liderado pelo CEO permanecerão inalterados, o Wall Street Journal afirma que a realidade é: mudanças já começaram, com direção e ritmo definidos.
Abel promoveu assistentes próximos, que recebem salários superiores aos de Buffett, mas prometem usar a maior parte de sua remuneração para comprar ações da Berkshire, reiniciou o programa de recompra de ações quase paralisado desde 2024 e expandiu ainda mais a presença da Berkshire no Japão, incluindo a aquisição de uma participação em uma seguradora local.
Fontes internas: Abel é mais envolvido na gestão do que Buffett
O aspecto mais notável na reportagem é a descrição das diferenças fundamentais entre Greg Abel e Buffett, não em suas filosofias de investimento, mas em seus estilos de gestão. Buffett sempre deu a impressão de ser altamente descentralizador, com pouca intervenção, até mesmo tolerando gestores com desempenho abaixo do esperado para evitar conflitos internos. Greg Abel, por outro lado, não é assim.
Segundo fontes familiarizadas com a operação interna da Berkshire, Abel é mais “prático” e “envolvido”, ou seja, mais aprofundado nos negócios, participando ativamente dos detalhes, com exigências mais altas para subsidiárias, participações e executivos de alto nível. Se alguém não atingir seus padrões, ele não tende a tolerar como Buffett, podendo até dispensar o funcionário, se necessário.
Isso faz de Greg Abel um gestor mais típico do mundo corporativo moderno, e não apenas uma extensão do investidor lendário. Sua origem também explica esse estilo: nasceu nas pradarias canadenses, com uma personalidade pragmática e direta, típica do Meio-Oeste norte-americano. Ele passou anos liderando negócios não relacionados a seguros sob o guarda-chuva da Berkshire, especialmente a Berkshire Hathaway Energy, tendo se formado na gestão de grandes indústrias e utilidades públicas.
Ele não é alguém que apenas observa o mercado de capitais, mas que entende de gestão de ferrovias, energia, utilidades, indústrias e conglomerados dispersos. Assim, ao assumir a Berkshire, o que o mercado vê não é uma continuação filosófica, mas alguém que conhece operações, gestão de desempenho e responsabilização organizacional, colocando suas mãos na gigante corporação.
Abel já demonstra uma postura mais assertiva do que Buffett
A reportagem aponta que, mesmo antes de assumir oficialmente, Abel já criou um clima de mudança interna. Em dezembro passado, durante um almoço com funcionários, alguém perguntou se ele mudaria a sede da Berkshire de Omaha. Uma questão impensável na era Buffett, mas que refletia a percepção de que uma “nova era” estava chegando. Abel respondeu que não mudaria a sede, mas a própria pergunta já indicava as expectativas internas de mudanças após a sucessão.
Em termos de estilo de trabalho, Greg Abel também mostra alto grau de dedicação. Embora a sede da Berkshire esteja em Omaha, ele mora em Des Moines, Iowa, e não planeja se mudar imediatamente, pelo menos até a formatura do filho no ensino médio. Isso significa que ele viaja várias vezes por semana, com viagens de cerca de duas horas de carro.
Mais importante, ele passa grande parte do tempo usando o avião gerenciado pela NetJets, subsidiária da Berkshire, visitando subsidiárias por todo o país. Essa mobilidade frequente e a inspeção constante são típicas de um gestor de operação forte.
Greg Abel redefine as principais participações da Berkshire
Do ponto de vista de investimentos, o primeiro sinal importante de Abel foi a redefinição do que considera “núcleo” e “não núcleo” na carteira. Em sua carta aos acionistas de 28 de fevereiro, ele destacou Apple, American Express, Coca-Cola e Moody’s como os principais investimentos.
Essa declaração é crucial, pois reafirma a estratégia de concentração de participações da Berkshire, mas também indica que, sob Abel, nem todas as participações de grande porte terão o mesmo peso. A reportagem aponta que Bank of America e Chevron não são considerados do mesmo nível de “núcleo” que os quatro citados.
Sob Abel, as decisões de investimento da Berkshire podem se tornar mais “focadas”
Ao mesmo tempo, Abel já começou a reorganizar a estrutura de investimentos deixada pela transição. Segundo a reportagem, as posições gerenciadas por Todd Combs foram vendidas. Combs, um dos dois gerentes de investimento recrutados por Buffett, recentemente assumiu a JPMorgan Chase. Além disso, há indícios de que Abel não planeja contratar novos gestores de investimentos para ajudar na gestão da carteira.
O que isso significa? Que o poder de decisão sobre os investimentos da Berkshire provavelmente ficará mais concentrado na mão do CEO, até mesmo mais do que na fase final de Buffett. Para o mercado, isso pode significar maior eficiência na tomada de decisão, além de refletir mais diretamente a avaliação pessoal de Abel nas mudanças de participação.
Por outro lado, o que realmente definirá a trajetória de Abel na história da Berkshire não será apenas sua capacidade de ajustar participações, mas como ele usará o enorme caixa recorde da empresa. Segundo a reportagem, a Berkshire atualmente possui US$ 373 bilhões em caixa. Para qualquer sucessor, isso representa uma oportunidade, mas também uma pressão.
Investidores de longo prazo podem não se importar se Abel continuará o estilo de Buffett, mas se ele estará disposto, na próxima grande recessão, a ser mais agressivo do que Buffett na alocação de capital. Chris Bloomstran, um investidor de longo prazo na Berkshire, afirmou que a verdadeira expectativa dos acionistas é que Abel tenha coragem de colocar US$ 300 bilhões no mercado, e que seja mais ativo do que Buffett na fase final.
Esse é o ponto mais importante para avaliar Abel. Porque a Berkshire não é uma empresa comum; é uma das poucas do mundo que combina reservas de seguros, grande quantidade de caixa, ativos industriais completos e alta confiança do mercado em sua gestão de capital. A capacidade central de Buffett não era apenas escolher ações, mas tomar decisões de alto retorno usando capital de baixo custo em momentos de pânico. A questão é: Abel herdará essa habilidade? Ou será apenas um gestor após Buffett, sem a mesma capacidade de alocação de capital?
Além disso, Abel passou o último ano investindo bastante na base mais importante da Berkshire: o negócio de seguros. Segundo a reportagem, ele priorizou aprender sobre o vasto sistema de seguros da Berkshire e interagiu de perto com Ajit Jain, que lidera há anos essa área. Jain deve continuar liderando o setor de seguros, mas a Berkshire já planeja sua sucessão. Isso mostra que Abel não está focado apenas em energia e indústrias, mas também em fortalecer seu entendimento sobre o núcleo de seguros da Berkshire.
O teste de Abel: a próxima recessão será o verdadeiro desafio
Em termos de imagem pessoal, Abel de certa forma mantém o estilo Buffett de empatia do Meio-Oeste. A reportagem menciona que ele adora hóquei no gelo, ainda atua como treinador do time do filho, e durante as Olimpíadas apoiou tanto a equipe masculina do Canadá quanto a feminina dos EUA, para não parecer parcial. Esses detalhes o fazem parecer uma pessoa pragmática, acessível e com forte conexão com a vida cotidiana, alinhada à cultura simples da Berkshire.
Mas não se deixe enganar por essa aparência amável. A verdadeira intenção do Wall Street Journal é retratar um sucessor que não foge de conflitos. Fontes próximas a Abel dizem que ele acredita na autonomia e na descentralização, respeitando o modelo de gestão descentralizado da Berkshire, mas isso não significa que ele permitirá que gestores atrasados continuem a prejudicar a organização.
Resumindo, Abel não pretende replicar a tolerância de Buffett e Munger com empresas de desempenho ruim. Se algum negócio não atingir os padrões, será avaliado, ajustado ou até vendido, se necessário.
Esse ponto é especialmente importante, pois a Berkshire raramente vende suas subsidiárias completas. Os exemplos mais emblemáticos foram a venda do jornal em 2020 e o encerramento do negócio têxtil em 1985. Ou seja, na era Buffett, as empresas adquiridas eram geralmente mantidas para sempre. Mas, sob Abel, essa regra pode não se aplicar mais.
Se o desempenho não atender às expectativas do novo líder, a Berkshire pode ser mais flexível e disciplinada na gestão de suas subsidiárias do que no passado. Abel não quer derrubar Buffett, mas transformar a Berkshire de uma “empresa de exceção liderada por um gênio fundador” em uma holding moderna, que mantenha sua essência, mas seja mais eficiente na execução e na responsabilização.
Ele preserva os principais genes da Berkshire: cultura, seguros, investimentos concentrados, visão de longo prazo e disciplina de capital; mas também adiciona seu próprio toque: gestão mais operacional, foco maior em desempenho, disposição para lidar com negócios atrasados e maior propensão a alocar capital de forma audaciosa em momentos críticos.
Para os investidores, o verdadeiro teste de Abel ainda está por vir. Talvez só na próxima recessão, na próxima crise de liquidez ou na próxima grande oportunidade de fusão e aquisição, o mercado verá se esse novo líder consegue, como Buffett, tomar decisões que mudam a história em meio ao caos. Mas, pelo que mostrou nesses 100 dias, a nova era da Berkshire já começou, e esse sucessor parece não estar interessado em apenas manter o status quo.