Há uma loja de macarrão na minha casa, no andar de baixo.


Aberta há quinze anos.
Antes, o menu era colado na parede,
Macarrão de carne de boi custava dezoito,
Macarrão com molho de soja frito, quinze,
Macarrão com cebolinha, oito reais.
Na hora do almoço, formava fila longa,
Todos eram trabalhadores da construção próxima.
No ano passado, trocaram de dono.
O novo dono rasgou o menu.
Substituiu por um menu de couro dourado.
Macarrão de carne de boi, noventa e oito,
Macarrão com molho de soja trufado, cento e vinte,
O macarrão com cebolinha desapareceu.
Mudou para macarrão com óleo de cebolinha, oitenta e oito.
Na parede, pendurou uma caligrafia:
Artesanato feito com dedicação.
Os trabalhadores da construção não vêm mais.
Não há mais fila na hora do almoço.
Quando passo por lá, penso que a loja vai fechar.
No mês passado, encontrei o novo dono.
Ele estava dirigindo um Cayenne.
Eu perguntei, o negócio vai bem?
Ele disse, antes vendia trezentas tigelas por dia,
E ganhava cinco reais por tigela.
Agora vende sessenta tigelas por dia,
E ganha oitenta por tigela.
Trezentas tigelas rendem mil e quinhentos reais.
Sessenta tigelas rendem quatro mil e oitocentos reais.
Ele apagou o cigarro.
“Antes, as pessoas na fila,
Comiam uma tigela de macarrão, precisando de três refiladas de caldo.
Agora, essas mesmas pessoas,
Pedem uma garrafa de vinho tinto de trezentos reais, sem pestanejar.”
Depois que ele saiu, olhei para dentro.
Havia algumas pessoas na loja.
Vestiam ternos.
Na mesa, havia vinho tinto.
O macarrão quase não se mexia.
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