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Claude versão desktop enfrenta críticas de "software de espionagem"! Alterou configurações de acesso sem consentimento, suspeita de violar leis da União Europeia
Acusação de pesquisadores de segurança de que a versão de desktop do Claude instalou configurações em vários navegadores sem consentimento, gerando controvérsia de “software espião” e preocupações sobre violação às leis de privacidade da UE. Opiniões divergentes no público, especialistas pedem maior transparência por parte das autoridades para garantir a segurança cibernética.
Pesquisador de segurança acusa a versão de desktop do Claude de ser um “software espião”
Você já instalou a versão de desktop do Claude? O pesquisador de segurança Alexander Hanff publicou recentemente que o aplicativo de desktop do Claude, sem o consentimento do usuário, instala silenciosamente arquivos de configuração de navegadores nativos no computador.
Hanff ao verificar um Mac descobriu que o programa, dentro de pastas de até 7 navegadores baseados em Chromium, como Brave, Google Chrome, Edge, Arc, Vivaldi e Opera, escreveu arquivos de configuração específicos, incluindo navegadores que ainda não estavam instalados.
Ele aponta que essa operação é oculta por padrão, sem mecanismo de consentimento do usuário, e difícil de remover. O programa não apenas pré-autoriza três identificadores de extensões de navegador ainda não instaladas, como também o nome dos arquivos não esclarece claramente o escopo da autorização, além de pré-autorizar executáveis nativos de navegadores que ainda não existem.
Se a extensão for acionada, o executável auxiliar poderá ler o estado de login do navegador, conteúdo de páginas, preencher formulários automaticamente e capturar telas.
Fonte: artigo de Alexander Hanff. Pesquisador de segurança acusa a versão de desktop do Claude de ser um “software espião”
Hanff aponta que, de acordo com dados de segurança próprios da Anthropic, a extensão do Claude para Chrome, sem defesas, enfrenta uma taxa de sucesso de 23,6% em ataques de injeção de prompts, caindo para 11,2% com as defesas atuais.
Com a instalação prévia de um conector no notebook do usuário, ataques de injeção de prompts bem-sucedidos na extensão poderiam criar uma via de invasão, permitindo que, por meio da extensão e do conector, um executável auxiliar operando fora do sandbox do navegador, com privilégios do usuário, fosse acionado.
Ele acusa que o comportamento da versão de desktop do Claude equivale a um “modo escuro” (design fraudulento) e “software espião”, operações que violam gravemente a privacidade do usuário ao ultrapassar limites de confiança.
Possível violação das leis da UE?
Hanff e Noah M. Kenney, fundador da consultoria digital Digital 520, também apontam que a versão de desktop do Claude pode violar o artigo 5, parágrafo 3, da Diretiva de Privacidade Eletrônica da UE, que exige que os provedores de serviço forneçam informações claras e obtenham consentimento do usuário.
Hanff acredita que, independentemente do impacto legal, uma empresa reconhecida por priorizar segurança e privacidade ao público, ao lançar ferramentas que parecem comprometer sua própria postura, causará danos reputacionais significativos e perderá a confiança dos usuários.
No entanto, Kenney mantém uma postura reservada quanto ao uso do termo “software espião” por Hanff, afirmando que o programa não rouba dados ativamente, mas concorda que as autoridades reguladoras europeias interpretam estritamente as condições de isenção necessárias, e que instalar funcionalidades de integração sem consentimento explícito representa um risco elevado de penalidades regulatórias.
A versão de desktop do Claude é um software espião? Opiniões divergentes
Fóruns de engenheiros, como o Hacker News, têm opiniões polarizadas. Alguns engenheiros, após testes, confirmaram comportamentos de instalação não autorizada e criticaram a modificação não autorizada de configurações de outros softwares independentes, considerando isso uma quebra na confiança básica entre programas.
Outro grupo de usuários acredita que, isso é simplesmente uma operação padrão do mecanismo de processamento de mensagens nativo, e sem evidências concretas de vazamento de dados, rotular como software espião parece exagerado.
O ex-gerente técnico da Apple, Bogdan Grigorescu, também pediu no LinkedIn que os usuários executem essas ferramentas de IA generativa em máquinas virtuais ou dispositivos dedicados, evitando instalá-las em computadores principais usados para finanças pessoais ou informações confidenciais.
Especialista em segurança Jason Packer afirmou que a prática da Anthropic de pré-autorizar identificadores de extensões ainda não disponíveis na loja de aplicativos é um exemplo extremamente ruim na prática de segurança de rede.
A Anthropic ainda não respondeu, e a questão ética do Claude está sob avaliação
A Malwarebytes, especializada em ferramentas antivírus para malware no Mac, considera que o processamento nativo de mensagens é um mecanismo padrão e legítimo do Chromium, mas que o Claude de desktop, ao escrever configurações em múltiplos caminhos de navegador sem informar claramente o usuário, aumenta sem dúvida a superfície de ataque do computador.
A Malwarebytes avalia que, como o programa do Claude precisa de extensões específicas para funcionar completamente, rotulá-lo como software espião é injusto. Contudo, a Anthropic poderia adotar uma abordagem mais transparente, deixando o usuário ciente das mudanças no sistema e avaliando os riscos antes de aceitar a instalação.
Até o momento, nenhuma declaração oficial foi feita pela Anthropic. A mídia The Register e a Malwarebytes solicitaram comentários à empresa, mas ainda não receberam resposta.