Jantar com a irmã do RH. Ela trabalha há dez anos em recrutamento.


Perguntei, qual é o tempo mais rápido para enxergar uma pessoa durante uma entrevista.
Ela colocou os hashis de lado.
“Trinta segundos.”
“Não precisa perguntar. Olhe as mãos.”
Como você entra, como limpa a mesa.
O celular está virado para cima ou para baixo.
Para quem você serve a água primeiro.
O que você diz quando o garçom traz a comida.
Essas coisas, não estão escritas no currículo.
Na entrevista, não se pergunta.
Mas em trinta segundos, tudo passa despercebido.
Ela disse que na semana passada entrevistou um estudante de uma universidade renomada.
Ao entrar, o celular bate na mesa com um estrondo, a tela virada para cima.
Uma mensagem aparece, ela dá uma olhada de relance.
“Essa pessoa não consegue ficar.”
“Não é que não queira ficar. É que não consegue controlar a si mesmo.”
“Quem não consegue controlar a si mesmo, será controlado pelo celular.
Quem é controlado pelo celular, será controlado por qualquer pessoa que envie mensagens.”
Perguntei, qual é o nível mais alto.
Ela fez uma pausa.
“No ano passado, entrevistei alguém. Entrou, sentou-se. Não fez nada.”
“O celular não foi tirado. A mesa não foi limpa. A água não foi servida.”
“Só ficou lá, me olhando.”
“Esperando eu falar primeiro.”
Ela disse que, naquele momento, sentiu um frio na espinha.
Depois de dez anos como RH, foi a primeira vez que sentiu que estava sendo entrevistada.
A pessoa não veio. Foi para a empresa concorrente.
Agora, ela é o maior problema dela.
Ela terminou o chá.
“A entrevista mais perigosa não é quando você não se sai bem.”
“É quando o outro se sai tão bem que você não consegue perceber que ele está se saindo.”
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