Minha melhor amiga. Todo verão ela briga com o namorado três vezes.


A razão é sempre a mesma: a temperatura do ar-condicionado.
Ela tem medo de calor. Vinte graus.
Ele tem medo de frio. Vinte e seis graus.
O controle remoto fica sendo disputado.
No final, cada um dorme de um lado.
Ela cobre-se com o cobertor e liga o ventilador, ele veste uma camisa de manga longa e se envolve com uma manta.
Este ano terminaram.
Ele se mudou para morar comigo.
Na primeira noite, ela ajustou o ar-condicionado, deitou, e depois se levantou.
“Ele nunca disse por que tem medo de frio.”
Ela ouviu isso do irmão dele.
Ele fez uma cirurgia de pneumotórax.
No ensino médio.
Perdeu um terço do pulmão.
O médico disse que, por isso, seu sistema respiratório é mais sensível que o de outras pessoas.
Uma rajada de vento frio faz ele tossir.
Eles ficaram juntos por três anos.
Nunca falaram sobre isso.
Cada vez que disputavam o controle remoto, ele só dizia:
“Eu tenho medo de frio.”
Ela passou a noite toda pensando.
No dia seguinte, comprou um leque de palha.
Daqueles antigos, feitos de folhas de palmeira.
Ela disse que sua avó sempre usava um assim para abaná-la quando era criança.
Um movimento suave, de cima para baixo.
O vento era macio.
Ela abanava, abanava, e então parou.
“Esse leque deve ser suficiente para ele suportar o vento.”
O leque ainda estava na mão dela.
Ver original
Esta página pode conter conteúdo de terceiros, que é fornecido apenas para fins informativos (não para representações/garantias) e não deve ser considerada como um endosso de suas opiniões pela Gate nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Isenção de responsabilidade para obter detalhes.
  • Recompensa
  • Comentário
  • Repostar
  • Compartilhar
Comentário
Adicionar um comentário
Adicionar um comentário
Sem comentários
  • Marcar