Fiquei dez minutos na casa da prima mais velha.


A televisão estava ligada. O iPad brilhando. Brinquedos no chão: carrinhos, pistolas de água, Lego esmagado.
O filho dela pulava de um para o outro, cada um não mais que vinte segundos.
A prima recolhia e xingava, as crianças não ouviam.
Ela disse: Eu arrumo oito vezes por dia, ele simplesmente não consegue ficar parado.
Eu não falei nada.
Fui para a casa de um amigo.
Metade de um quebra-cabeça na mesa de centro. Uma enciclopédia de dinossauros na sofá, pela metade. Algumas canetinhas no chão.
O filho dela deitado colorindo. Quarenta minutos. Sem levantar a cabeça.
Ela disse: Aquilo é o canteiro de obras dele. Que bagunça, que seja bagunça mesmo.
Fiquei na porta, olhando para as duas salas.
Uma parecia uma exposição. A outra, um canteiro de obras.
A criança na sala de exposição não consegue ficar parada.
A criança no canteiro de obras não quer sair.
Depois entendi —
A bagunça na casa da prima é causada pelo controle remoto.
A bagunça na casa do amigo é criada pela criança.
Um é planejado. O outro, feito por ela mesma.
A atenção focada, essa coisa, não é algo que se treina.
Ela é algo que não é interrompido.
Depende de quem é a sala de estar.
Ver original
Esta página pode conter conteúdo de terceiros, que é fornecido apenas para fins informativos (não para representações/garantias) e não deve ser considerada como um endosso de suas opiniões pela Gate nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Isenção de responsabilidade para obter detalhes.
  • Recompensa
  • Comentário
  • Repostar
  • Compartilhar
Comentário
Adicionar um comentário
Adicionar um comentário
Sem comentários
  • Marcar