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Recentemente, voltei a ouvir discussões sobre a mineração de Bitcoin, e lembrei-me de um dado que tinha visto há alguns anos, que é bastante chocante.
A Universidade de Cambridge publicou um estudo na época, indicando que o consumo de energia para minerar Bitcoin já tinha atingido 134,89 terawatt-horas, o que equivale ao consumo de eletricidade de um país classificado em 27º lugar no mundo, ou seja, o consumo de energia de um ano na Malásia. Este número pode parecer sem conceito, mas pense bem, o processo de mineração de uma moeda virtual pode consumir a energia de um país inteiro, o que por si só merece reflexão.
Por que consome tanta energia? Na verdade, isso está intimamente relacionado ao mecanismo de emissão do Bitcoin. O total de Bitcoins é limitado a 21 milhões de unidades, e inicialmente os mineiros descobriam que um bloco dava 50 Bitcoins, mas a recompensa por bloco é reduzida pela metade a cada 210.000 blocos. O que isso significa? Que a dificuldade de mineração aumenta cada vez mais, exigindo maior poder de cálculo, e o consumo de energia naturalmente também aumenta exponencialmente. No início, Satoshi Nakamoto podia minerar 50 Bitcoins com um computador doméstico, mas depois passou a ser necessário usar máquinas de mineração especializadas, ou até mesmo um grande campo de mineração para competir.
Os proprietários de minas, para se manterem à frente dos outros, só têm uma opção: adquirir mais e mais máquinas de mineração mais rápidas. Essas máquinas especializadas possuem chips de mineração específicos, que geram uma quantidade enorme de calor durante a operação, sendo necessário usar ventiladores de refrigeração para evitar falhas. O consumo de energia de uma única máquina fica em torno de 35 graus, e o consumo de energia de um campo de mineração por um dia pode satisfazer as necessidades de eletricidade de uma pessoa durante toda a vida. Dizem que, por volta de 2024, o consumo anual de energia para mineração de Bitcoin na China será equivalente à geração de energia de 3,5 hidrelétricas de Três Gargantas.
Falando nisso, por que a mineração de Bitcoin consome tantos recursos? Para quê tudo isso? O Bitcoin tem algum valor real? Minha opinião é que, na verdade, ele não possui valor prático algum. O Bitcoin surgiu após a crise financeira de 2008, como uma forma de desafiar a hegemonia do dólar. No início, circulava apenas entre programadores, mas, devido às suas características de descentralização e anonimato, seu preço começou a subir gradualmente. Em 2020, com a política de afrouxamento monetário do Federal Reserve, o Bitcoin disparou até US$ 68.000. Mas esses preços elevados são apenas bolhas especulativas; sob a teoria do valor-trabalho, o valor do Bitcoin deveria ser zero.
O preço elevado que vemos hoje é, essencialmente, uma especulação sobre sua escassez e anonimato. Quando ele retornar à sua essência monetária, enfrentará apenas o destino de ser esmagado pelas moedas tradicionais. Para ser direto, o gasto de energia na mineração de Bitcoin e o custo das máquinas talvez sejam seu maior “valor”.
Por isso, nosso país tem tomado uma posição firme contra a especulação com Bitcoin. Primeiro, a questão energética: no início, muitas operações de mineração estavam concentradas internamente, com os mineradores comprando energia barata na região de Yun-Gui-Chuan durante períodos de cheia, e na Xinjiang e Mongólia Interior durante períodos de seca. Essa exploração ilimitada de energia pressiona o fornecimento de eletricidade para outros setores, afetando o desenvolvimento econômico. Em segundo lugar, há o risco: a anonimidade do Bitcoin facilita lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e fraudes. E, mais importante, isso envolve a soberania financeira do país. El Salvador, em 2021, adotou o Bitcoin como moeda legal, mas, devido à grande baixa do mercado posteriormente, perdeu milhões de dólares, e há quem diga que pode se tornar o primeiro país a falir por causa de “especulação com criptomoedas”.
Portanto, tanto para o país quanto para o indivíduo, a “especulação com criptomoedas” é, na essência, uma forma de jogo de azar, que corrói o espírito e consome a virtude do trabalho árduo. Nosso país, ao combater a mineração de Bitcoin e a especulação relacionada, age com sabedoria.