Valentín Carboni: a promessa europeia que o Racing precisava para sonhar grande

Aos 20 anos, Valentín Carboni já viveu uma trajetória profissional que a maioria dos futebolistas leva décadas a percorrer. Desde os seus primeiros passos no Lanús até passar por prestigiados clubes italianos e franceses, o extremo esquerdo consolidou uma reputação como talento diferente. Hoje, no Racing, procura recuperar protagonismo e manter vivas as suas aspirações de representar a Argentina no próximo Mundial.

De promessa infantil a contratação importante: o percurso de Carboni

A sua história começa no Lanús, onde foi identificado como um talento excecional desde as suas primeiras categorias. Leandro Escudero, preparador físico naquela fase, recorda assim: “Era claramente o melhor jogador de futebol infantil que vi. Fazia muita diferença e tinha muitas qualidades de jogador grande, embora fosse pequeno.” Rodrigo Acosta, outro dos seus treinadores na formação do Granate, concorda na avaliação: “Era um jogador diferente desde pequeno.”

O que distinguia Valentín Carboni, mesmo desde pequeno, não era apenas o seu talento com a bola, mas a sua maturidade tática incomum. Os seus preparadores recordam a sua capacidade de análise e compreensão do jogo: “Tinha pensamentos abstratos que os miúdos não costumam ter a uma idade precoce, como dar um passe ao vazio”, relata Escudero. Esta característica não era casual: vinha de uma família que vivia o futebol de forma integral. O seu pai, Ezequiel Kely Carboni, antigo médio do Lanús e agora treinador, inculcou nos filhos uma filosofia onde a análise tática era tão importante quanto a execução.

O salto europeu e a busca de continuidade

Quando Ezequiel Kely foi contratado para treinar nas formações do Catania, toda a família mudou-se para Itália. Carboni tinha apenas um adolescente, mas o seu potencial já tinha captado a atenção de grandes clubes italianos. O Inter contratou-o para a sua equipa Primavera aos 14 anos. Paralelamente, a seleção sub-17 italiana convocou-o pelas suas atuações, uma oportunidade que Carboni aproveitou para mostrar o seu nível.

No entanto, o seu coração continuava na Argentina. “Aceitei a convocação da Itália porque não estavam a chamar-me da Argentina. Queria mostrar-me, mas assim que o meu país me chamou, não hesitei”, explica Carboni sobre a sua decisão de representar a Albiceleste nas categorias de base. Depois de disputar 11 jogos com a seleção italiana juvenil, o extremo focou-se completamente na seleção argentina.

O reconhecimento chegou rapidamente. Em 2024, Lionel Scaloni incluiu-o na lista para a Copa América, onde Carboni fez parte do plantel bicampeão continental. Foi um marco importante: competir num torneio internacional ao mais alto nível, rodeado de referências como Lionel Messi, que foi um dos seus primeiros promotores.

Os desafios na Europa: Genoa e a necessidade de mudanças

Apesar do seu talento, Carboni não teve a continuidade esperada durante a sua experiência na Genoa, por empréstimo. Em 15 jogos disputados, marcou apenas um golo sem assistências. O seu tempo de jogo reduziu-se significativamente com a chegada do treinador Daniele De Rossi, que lhe ofereceu apenas 77 minutos distribuídos por cinco jogos. Anteriormente, no Olympique de Marselha, teve a oportunidade de trabalhar sob as ordens de Roberto De Zerbi, a quem valoriza como um técnico que lhe ensinou “muito em pouco tempo”, até que uma rotura de ligamentos em outubro de 2024 o afastou das competições.

A Inter, proprietária do seu passe até dezembro de 2028, decidiu que era altura de Carboni ganhar experiência com outra camisola. O objetivo do clube neroazurro é que o extremo tenha rodagem regular, considerando que Lautaro Martínez é atualmente o capitão da equipa.

Racing: a oportunidade de regressar a casa

Quando surgiu a possibilidade de ingressar no Racing, Carboni avaliou opções na Itália, mas decidiu que a Academia era o lugar certo neste momento da sua carreira. “Decidi com o coração. Tinha outras opções na Itália, mas senti que o Racing era o lugar para este momento da minha carreira”, afirmou na sua apresentação. Os seus irmãos Franco e Cristiano, também futebolistas, fizeram parte do seu círculo de aconselhamento, numa família onde o futebol é linguagem quotidiana.

Gustavo Costas, que dirige o Racing com grandes aspirações para o ciclo de 2026, depositou confiança imediata no extremo. “Não quero elogiá-lo muito para não lhe sobrecarregar ainda mais a mochila”, afirmou o treinador, demonstrando a responsabilidade que sente pelo desenvolvimento do jovem futebolista. As primeiras sessões de treino na concentração deixaram boas impressões: “Desde a primeira bola que tocou, mostrou que é diferente”, concordaram os seus novos colegas.

Messi apoia, Scaloni confia, Lautaro incentiva

O apoio de figuras de renome mundial não é coincidência. Há alguns anos, Messi já tinha avaliado positivamente Carboni: “Acho que tem um futuro extraordinário. Um presente e um futuro extraordinários, e há que aproveitá-lo, é um jogador diferente.” Esta avaliação do astro argentino manteve-se vigente.

Scaloni também acompanha a sua evolução. O treinador da Seleção Argentina entende a importância de que jogadores com projeção internacional tenham continuidade regular. “Enquanto e enquanto ele voltar ao seu nível, pode ter a oportunidade de estar connosco. Fico contente com a sua decisão, nesta idade é importante jogar”, avaliou o estratega após a chegada de Carboni ao Racing.

Até Lautaro Martínez, capitão do Inter, apoiou a decisão do extremo: “Ele disse para seguir em frente”, contou Carboni sobre o conselho do avançado argentino, que conhece bem os desafios de evoluir no futebol italiano.

As aspirações mundialistas de Valentín Carboni

Sobre os seus objetivos a curto prazo, Carboni é realista: “O Mundial é uma meta, um objetivo que todo jogador argentino tem, mas não é o principal. Primeiro, há que jogar, ter continuidade e fazer bem. Não vim para o Racing por causa da seleção.” No entanto, não esconde o seu sonho: participar no Mundial de 2026 com a Argentina.

O desafio é claro: a maioria do plantel de Scaloni para a próxima edição do Mundial já está definida, o que significa que Carboni deve criar uma projeção indiscutível no Racing para conquistar o seu lugar. Isto exige não só talento, mas também consistência na competição local.

Um futebolista que aprende observando

Para além das suas qualidades técnicas, o que diferencia Valentín Carboni é a sua mentalidade. É um futebolista que estuda o jogo, que analisa jogos mesmo antes de ser um jogador de elite. “Começou a ver mais jogos do Racing em detalhe desde que surgiu a possibilidade de se integrar”, revelou na sua apresentação. Esta abordagem intelectual ao futebol, herdada do pai, distingue-o de jogadores que confiam apenas na intuição.

Além disso, está consciente da importância do cuidado físico. Os seus preparadores históricos descrevem-no como disciplinado, alguém que “gosta de treinar” e que entende que o desenvolvimento físico é tão crucial quanto o técnico. Com 1,88 metros de altura e uma constituição imponente combinada com habilidade, possui características que, juntas, são raras em extremos modernos.

A estreia e os próximos passos

O seu primeiro jogo oficial pelo Racing aconteceu no Torneio Apertura, iniciando assim uma fase onde terá a oportunidade de demonstrar por que tantas figuras da seleção argentina depositaram confiança no seu potencial. O Cilindro de Avellaneda, com a sua história de comunhão entre equipa e adeptos, pode ser o palco onde Valentín Carboni redescubra a sua melhor versão.

Passo a passo, o seu objetivo será tornar-se uma peça fundamental da equipa de Costas e, subsequentemente, justificar a sua inclusão em futuras convocatórias da Seleção Argentina. Se conseguir recuperar a continuidade perdida na Europa e consolidar uma atuação destacada com o Racing, o sonho mundialista de Valentín Carboni deixará de ser uma ilusão para tornar-se numa realidade tangível em 2026.

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