Os preços do açúcar entram em pressão sustentada devido ao aumento massivo da oferta global

O mercado global de açúcar está a experimentar um forte momento de queda, à medida que as perspetivas de uma oferta abundante a nível mundial continuam a pressionar as avaliações. Os contratos mundiais de açúcar de Nova Iorque (SBH26) caíram 0,02 pontos (-0,14%), enquanto os futuros de açúcar branco da ICE de Londres (SWH26) desceram 1,60 pontos (-0,39%), refletindo o sentimento mais pessimista que domina o complexo das commodities. A fraqueza subjacente resulta de expectativas generalizadas de uma produção recorde nos principais países produtores de açúcar e de previsões de excedentes globais substanciais até 2027.

O Motor Principal: Surplus de Oferta Global Previsto

Várias empresas de pesquisa de commodities alinharam-se na sua perspetiva pessimista para os preços do açúcar, todas apontando para um cenário de excesso de oferta. A Green Pool Commodity Specialists projeta um excedente mundial de açúcar de 2,74 milhões de toneladas métricas (MMT) para a época 2025/26, com um excedente adicional de 156.000 toneladas métricas previsto para 2026/27. Esta avaliação é reforçada pela previsão da StoneX de um excedente global de 2,9 MMT para o período de 2025/26.

A magnitude do excedente previsto aumentou significativamente até ao final de 2025. A Covrig Analytics aumentou a sua estimativa de excedente global para 2025/26 para 4,7 MMT em dezembro, face a uma previsão anterior de 4,1 MMT. Mais dramaticamente, a Czarnikow — uma importante empresa de comércio de açúcar — elevou a sua estimativa de excedente global para 2025/26 para 8,7 MMT no início de novembro, representando uma revisão ascendente substancial face à previsão de 7,5 MMT em setembro. Mesmo a Organização Internacional do Açúcar, mais conservadora, projeta um excedente de 1,625 milhões de MT para 2025-26, embora isto represente uma mudança radical face ao défice de 2,916 milhões de MT registado em 2024-25.

Produção Recorde do Brasil e da Índia Amplifica a Fraqueza dos Preços do Açúcar

A colheita recorde de açúcar prevista para o Brasil constitui uma das principais dificuldades para os preços do açúcar. Segundo a agência de previsão de culturas do Brasil, a Conab, a produção de açúcar de 2025/26 foi revista para cima, para 45 MMT, ultrapassando as estimativas anteriores de 44,5 MMT. Entretanto, o USDA prevê que a produção do Brasil aumentará 2,3%, atingindo um nível sem precedentes de 44,7 MMT na mesma época.

A Índia emergiu como uma contribuição ainda mais dramática para as pressões de oferta global. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) reportou que a produção de açúcar de 1 de outubro até meados de janeiro da época 2025-26 atingiu 15,9 MMT — um aumento notável de 22% em comparação com o ano anterior. A ISMA elevou subsequentemente a sua previsão para toda a época para 31 MMT, um aumento de 18,8% em relação à estimativa anterior de 30 MMT. O USDA projeta que a produção da Índia em 2025/26 irá subir 25%, para 35,25 MMT, devido às condições favoráveis do monção e à expansão do plantio.

Este aumento dramático na produção indiana pressiona diretamente os preços do açúcar. O secretário de alimentos do país indicou que o governo pode autorizar exportações adicionais de açúcar para gerir o excesso de oferta interno, indo além da quota de exportação de 1,5 MMT autorizada pelo ministério de alimentos para a época 2025/26. Com a ISMA também a reduzir a sua previsão de cana-de-açúcar destinada à produção de etanol de 5 MMT para 3,4 MMT, ainda mais açúcar estará disponível para os mercados de exportação, agravando ainda mais a pressão sobre os preços do açúcar.

A Tailândia contribui com pressão adicional, com a Thai Sugar Millers Corp a prever um aumento de 5% na produção de 2025/26, para 10,5 MMT. O USDA antecipa um crescimento semelhante de 2%, para 10,25 MMT. Como terceiro maior produtor e segundo maior exportador mundial, a expansão da produção tailandesa acrescenta volume relevante ao quadro de oferta global que pesa sobre os preços do açúcar.

Como Podem os Preços do Açúcar Reagir no Futuro

As dinâmicas de produção ano a ano revelam o que alguns analistas esperam ser um ponto de viragem. A Safras & Mercado prevê que a produção de açúcar do Brasil diminuirá 3,91%, para 41,8 MMT em 2026/27, face às 43,5 MMT previstas para 2025/26. A empresa também espera que as exportações de açúcar do Brasil caiam 11% em relação ao ano anterior, para 30 MMT, em 2026/27.

Os analistas observam que preços de açúcar significativamente mais baixos durante 2025/26 podem desencorajar a expansão futura da produção, apoiando potencialmente os preços nas temporadas seguintes. A Covrig Analytics prevê que o excedente global reduzir-se-á para 1,4 MMT em 2026/27, à medida que avaliações deprimidas desincentivem os agricultores a manterem uma área cultivada maior. Este mecanismo sugere que a fraqueza atual dos preços do açúcar, embora severa, pode ser uma correção automática a médio prazo.

A avaliação mais recente do USDA projeta que a produção global de açúcar atingirá 189,318 MMT em 2025/26 — um recorde e um aumento de 4,6% em relação ao ano anterior — enquanto o consumo humano global deverá atingir 177,921 MMT, um aumento de 1,4% face ao ano anterior. Os stocks finais globais estão previstos diminuir 2,9%, para 41,188 MMT. Estas dinâmicas criam o pano de fundo fundamental que explica porque os preços do açúcar continuam sob pressão, apesar de as expectativas para 2026/27 e além estarem a moderar-se.

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