Após o JPMorgan, o Barclays avalia o posicionamento de pagamentos em criptomoedas: stablecoins podem tornar-se a nova infraestrutura do TradFi

27 de fevereiro de 2026, uma reportagem da Bloomberg causou impacto na indústria de criptomoedas e finanças tradicionais: o gigante bancário britânico Barclays está avaliando seriamente entrar no setor de pagamentos em criptomoedas. Essa notícia não é isolada, mas sim um novo capítulo na adoção total da tecnologia blockchain pelas finanças tradicionais (TradFi). Enquanto o mercado ainda discute a volatilidade das criptomoedas, uma das principais clearing banks globais já iniciou consultas a fornecedores de tecnologia, planejando construir uma plataforma de pagamentos e depósitos baseada em blockchain. Essa iniciativa não é apenas uma mudança estratégica de uma única empresa, mas pode indicar uma mudança de paradigma na infraestrutura de fluxo de capital global. Este artigo analisa profundamente o evento, revela detalhes, discute a lógica do setor por trás e projeta possíveis caminhos futuros.

Visão geral do evento: consulta tecnológica do banco gigante

Segundo a Bloomberg, o Barclays, com sede no Reino Unido, enviou solicitações de informações (RFI) a diversos fornecedores de tecnologia potenciais, avaliando como construir uma plataforma bancária baseada em tecnologia de livro-razão distribuído (DLT). A função central dessa plataforma será processar pagamentos, com foco em duas áreas principais: pagamentos com stablecoins e depósitos tokenizados. Fontes próximas revelaram que o Barclays pretende definir seu parceiro tecnológico até abril de 2026. Essa movimentação mostra que o banco não está mais apenas observando ou realizando pilotos pequenos, mas se prepara para integrar sistematicamente a tecnologia blockchain em seu núcleo de negócios.

Da saída à retomada: mudança de estratégia

A postura do Barclays em relação ao setor de criptomoedas passou por uma notável reversão em forma de “U”, cuja compreensão ajuda a entender a importância dessa decisão.

  • Período de exploração inicial (2016-2018): o Barclays foi um dos pioneiros na pesquisa de blockchain. Em 2016, ingressou na R3, uma aliança de bancos que estudava aplicações de ledger distribuído no setor financeiro. Em 2018, chegou a oferecer serviços a empresas emergentes como Coinbase, demonstrando abertura às novas indústrias.
  • Período de retração estratégica (2019-2024): com o mercado de criptomoedas entrando em um longo mercado de baixa e maior incerteza regulatória, o Barclays encerrou parcerias com exchanges em 2019, adotando postura mais conservadora.
  • Retorno à fase de entrada (2025-presente): a partir de 2025, a postura do banco mudou radicalmente. Naquela temporada, foi divulgado que o Barclays estava entre os principais bancos internacionais explorando a emissão conjunta de stablecoins. No início de 2026, o banco investiu na startup de liquidação de stablecoins Ubyx, que fornece infraestrutura de conformidade para instituições financeiras reguladas. Ryan Hayward, chefe de ativos digitais do Barclays, declarou na época: “Tecnologia especializada desempenhará papel fundamental ao fornecer conexão e infraestrutura, permitindo que instituições reguladas interajam de forma fluida.” Essa consulta a fornecedores de tecnologia é uma continuação e implementação dessa estratégia.

Por que o TradFi entra agora?

A movimentação do Barclays não é casual, mas reflete a ansiedade e a vontade de se posicionar diante do crescimento explosivo do mercado de stablecoins.

  • Previsão de mercado: segundo a Bloomberg Intelligence, até 2030, o volume anual de transações com stablecoins pode ultrapassar US$50 trilhões, um mercado capaz de desafiar cartões de crédito e remessas internacionais tradicionais.
  • Pressão de concorrentes: o Barclays não é o primeiro gigante a agir. JPMorgan já lidera, lançando o JPMD, um token de depósito tokenizado na rede Ethereum de escalabilidade Base, incubada pela Coinbase, e expandindo para a rede Canton, permitindo que clientes institucionais usem representações digitais de depósitos para pagamentos. HSBC também planeja expandir seus serviços de depósitos tokenizados nos EUA e Emirados em 2026. Além disso, o Bank of America já testou sua própria stablecoin na rede Stellar, e o Citigroup demonstrou forte interesse.
  • Vantagens estruturais: para os bancos, stablecoins e depósitos tokenizados não representam apenas “jogos de criptografia”, mas uma atualização na infraestrutura de pagamento. Podem oferecer liquidação quase instantânea, operação 24/7, além de possibilitar programação para simplificar transferências internacionais e liquidações comerciais complexas, resolvendo problemas de eficiência em feriados e fusos horários.

Análise de opiniões do mercado

Em torno da iniciativa do Barclays, a opinião pública se divide em algumas posições principais:

Dimensão Argumento principal Tendência emocional
Otimista: marco de aceitação mainstream A entrada do Barclays simboliza a adoção total de criptotecnologia pelas finanças tradicionais. Quando os principais clearing banks globais oferecem pagamentos com stablecoins e depósitos tokenizados, isso indica que os ativos digitais estão se tornando componentes fundamentais do sistema financeiro, mais do que apenas investimentos alternativos, com impacto mais profundo que qualquer alta de preço. Otimismo
Realista: inovação defensiva A ação do banco é uma “inovação defensiva” forçada. Se empresas de tecnologia e fintechs usarem stablecoins para invadir o mercado de pagamentos, os bancos perderão controle sobre os principais fluxos de depósitos e pagamentos. A movimentação do Barclays visa proteger sua posição central no sistema financeiro, não uma mudança proativa. Cautela
Cética: lacuna regulatória e de adoção Apesar da ação, o volume de negócios com sistemas tokenizados ainda é pequeno comparado às plataformas tradicionais. Além disso, rígidos requisitos de conformidade (KYC/AML), barreiras regulatórias em diferentes jurisdições e dificuldades de integração com sistemas antigos podem fazer esses projetos permanecerem no estágio de prova de conceito por muito tempo, sem gerar lucros reais. Ceticismo

Análise de veracidade dos relatos

  • Fatos (acontecidos ou divulgados claramente)
    • Bloomberg cita fontes próximas de que o Barclays enviou RFI.
    • O banco confirmou investimento na startup de liquidação de stablecoins Ubyx.
    • Ryan Hayward fez declarações públicas.
    • O objetivo é escolher fornecedor até abril.
    • Concorrentes como JPMorgan e HSBC já possuem produtos similares em operação.
  • Interpretações (como os fatos são entendidos)
    • “Barclays está impulsionando ativamente pagamentos em criptomoedas”: uma síntese precisa, embora o ritmo e escala ainda não estejam claros.
    • “A iniciativa visa combater a ameaça das stablecoins ao negócio bancário”: uma visão comum do setor, baseada na lógica de mercado, não uma declaração oficial.
  • Projeções (futuro desconhecido)
    • Se o Barclays conseguirá escolher fornecedor até abril e qual será.
    • Forma, lançamento e escala do produto tokenizado.
    • Quanto essa iniciativa realmente contribuirá para a receita do banco.

Impacto na indústria

A entrada potencial do Barclays terá efeitos profundos em três níveis:

  • Efeito “salmão na água” no TradFi: a ação do Barclays reduzirá dúvidas de outros grandes bancos quanto à conformidade e maturidade tecnológica. Se o principal clearing bank do Reino Unido conseguir operar um sistema de pagamento baseado em blockchain, criará um efeito de demonstração forte, pressionando HSBC, Standard Chartered, Santander e outros europeus a acelerarem suas próprias estratégias, gerando uma nova corrida por tokenização.
  • Efeito de “camadas” na indústria de criptomoedas: a entrada de bancos acelerará a especialização do setor. Por um lado, fornecedores de infraestrutura institucional, focados em conformidade e alta performance (como Ubyx), terão crescimento acelerado. Por outro, haverá uma separação mais clara entre “stablecoins conformes” e “DeFi sem permissão”, atendendo a diferentes cenários.
  • Efeito de “forçamento regulatório”: a participação de bancos importantes impulsionará a regulamentação global de stablecoins. Quando instituições sistêmicas como o Barclays fizerem pedidos concretos, o FCA e o PRA terão que definir regras mais claras e operáveis, encerrando a incerteza regulatória.

Projeções de cenários futuros

Com base nos fatos atuais, podemos imaginar três possíveis trajetórias:

Cenário 1: “Nova rede de pagamentos” em ritmo constante

O Barclays escolhe fornecedor até abril, lança um piloto restrito até o final de 2026, focado em pagamentos transfronteiriços com stablecoins para grandes clientes corporativos. Essa iniciativa compete diretamente com JPMD, promovendo a criação de uma rede de tokens bancários, formando um ecossistema de pagamentos institucional mais rápido que o SWIFT.

Cenário 2: “Labirinto regulatório” com obstáculos

Apesar de avançar na tecnologia, o banco enfrenta resistência regulatória, com o Basel Committee impondo requisitos de capital mais rígidos. O projeto é reduzido ou adiado indefinidamente, permanecendo como ferramenta de teste interno, com impacto limitado no setor.

Cenário 3: “Superação e integração”

O Barclays não só lança pagamentos, mas também emite sua própria “stablecoin Barclays”, integrando-a ao app de varejo, permitindo pagamentos ponto a ponto e remessas internacionais. Abre APIs para fintechs, transformando-se em uma plataforma regulada de “banco na blockchain”, mudando radicalmente seu modelo de negócios de varejo.

Conclusão

A consideração do Barclays de avançar com pagamentos em criptomoedas não é apenas um teste técnico, mas uma mudança decisiva na direção do sistema financeiro tradicional na era digital. Marca a entrada de stablecoins e depósitos tokenizados na engrenagem central do sistema financeiro global. Independentemente do resultado em abril, essa ação já envia um sinal claro: o futuro dos bancos será construído sobre blockchain. Para o setor de criptomoedas, o maior benefício talvez não seja a volatilidade de curto prazo, mas a abertura de uma porta para um mercado tradicional de dezenas de trilhões de dólares, que lentamente se revela.

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