Problemas no uso de dinheiro pelos jovens e soluções inteligentes para resolvê-los

Por que é que as instituições financeiras nos dizem para planear o uso do dinheiro?

Nesta era, a vida não é tão garantida como no ano passado. A crise económica repete-se, a pandemia prejudicou os rendimentos, e todos os bens que podemos comprar estão a ficar mais caros continuamente. Muitas pessoas descobrem que não têm poupanças, não sabem para onde foi o dinheiro, e quando ocorre uma crise, têm que recorrer a empréstimos por falta de reservas.

Planejar o uso do dinheiro não é apenas para os ricos, mas é essencial para todos, desde funcionários iniciantes até gestores, porque ajuda-nos a ter estabilidade financeira em diferentes fases da vida.

Por que há muitas pessoas que “o salário acaba 5 dias após o pagamento”?

Existem várias razões:

1. Expectativa de vida mais longa, mas poupanças de reforma insuficientes

Segundo estatísticas, há 100 pessoas, mas na reforma, apenas 25 têm dinheiro suficiente para viver. Os portugueses vivem em média entre 71-78 anos. Se se reformarem aos 60 anos, precisam de dinheiro para mais 15-20 anos.

Exemplo simples: se precisarem de 30.000 euros/mês após a reforma até aos 80 anos, isso equivale a (30.000 × 12 meses × 20 anos) = 7,2 milhões de euros (ainda sem considerar a inflação).

Mas o que o Estado fornece? Apoio aos idosos de apenas 600 euros/mês e o Fundo de Segurança Social de 3.000 euros/mês. Não é suficiente.

2. Mudanças na estrutura familiar, menos filhos

Na época dos nossos pais, dependíamos mais dos filhos. Hoje, as pessoas têm apenas 1-2 filhos, e esses filhos também trabalham duro, têm muitas dívidas e poupam pouco. Quanto mais poupar, menos poderão ajudar os pais.

3. A inflação corrói o valor do dinheiro

Há 20 anos, uma refeição com arroz e carne custava 20 euros; atualmente, custa 50 euros. Uma tigela de noodles antes custava 5-10 euros, agora 40-50 euros.

Se esperar mais 30 anos, os preços podem aumentar 2-3 vezes. Com o mesmo dinheiro, podemos comprar menos. Quem não planejar investir certamente perderá para a inflação.

4. Os benefícios sociais do Estado não são suficientes

Em 15 anos, a percentagem de pessoas com mais de 60 anos aumentará para 20% (1 em 5 portugueses). Enquanto isso, a proporção de trabalhadores para idosos diminui de 6:1 para 3:1. Os impostos arrecadados pelo Estado já não cobrem os benefícios, por isso, temos que depender de nós próprios.

5. Os produtos financeiros tornaram-se mais complexos

Antigamente, quem depositasse dinheiro no banco recebia juros atrativos. Agora, as taxas de juro mínimas são apenas 1-2%. Para obter melhores retornos, é preciso aprender sobre ações, fundos de investimento, obrigações, criptomoedas, etc. Existem mais de 1.500 produtos diferentes, com riscos variados. É importante escolher de acordo com o perfil de cada um.

6. Mais incertezas na vida

A Covid-19 fez muitas pessoas perderem o emprego. Algumas ainda não encontraram trabalho, outras estão a recuperar-se de doenças. Os bens que compraram desapareceram. Sem reservas, podem fracassar rapidamente.

Resposta: Como planejar o uso do dinheiro para ter sucesso?

Princípios de planeamento que deve conhecer

1. Gerir claramente as receitas e despesas

Orçamento não é apenas não gastar dinheiro, mas controlar para saber para onde vai cada euro. Acompanhe as despesas regularmente. Comece a anotar desde hoje, por pelo menos 7 dias, para perceber os padrões de consumo e ajustá-los.

2. Poupar e investir são a base

Não é poupar o que sobra após gastar, mas guardar antes de gastar. Comece com 10% da sua renda, reduza despesas e ajuste-se a esse valor.

Depois, invista de acordo com a sua idade: pessoas entre 25-35 anos podem assumir mais riscos (ações, fundos de ações); entre 35-45 anos, reduza riscos (misturando); acima de 45 anos, foque na segurança (obrigações, imóveis).

3. Gerir riscos de acidentes imprevistos

Seguros de vida, saúde e acidentes são essenciais, não são supérfluos. Doenças graves custam muito dinheiro e podem tirar a sua renda. Com seguros, a sua família fica protegida.

4. Planeie os impostos

Invista em fundos de reforma (RMF) para deduções fiscais, e em ações locais (LTF) também para benefícios fiscais. Quem não planeja, perde.

5. Planeie a reforma desde jovem

Quanto mais cedo começar, maior será o efeito dos juros compostos. Compare:

Pessoa que poupa regularmente Pessoa que não poupa
Poupança inicial 10.000 euros 10.000 euros
Poupa mensalmente 5.000 euros 0 euros
Período 15 anos 15 anos
Retorno médio 5% ao ano 1% (apenas nos bancos)
Poupança futura 1.357.582 euros 11.607 euros

A diferença é de 1,3 milhões de euros. Não é brincadeira!

( Passos que pode começar hoje

Passo 1: Defina objetivos de vida claros

Não basta poupar, é preciso saber para quê:

  • Comprar casa/carro: quanto tempo leva?
  • Viajar ao estrangeiro: quanto precisa?
  • Casar: quanto gastar?
  • Reforma: quanto precisa poupar? )A maioria esquece-se disto!###

Faça uma lista com valores aproximados e prazos.

Passo 2: Registe as receitas e despesas de um mês

Muitas pessoas não sabem para onde vai o dinheiro. Anote diariamente:

  • Salário/rendimentos
  • Alimentação, água, luz, renda, outros
  • Despesas supérfluas (marcas, jogos, entretenimento)

Depois de 30 dias, verá claramente o que é essencial e o que pode cortar.

Passo 3: Faça o seu “balanço financeiro”

Registe:

  • Ativos totais: dinheiro em contas, investimentos, valor de casa, carro, ouro, bens de marca
  • Dívidas totais: hipotecas, empréstimos de carro, cartões de crédito, dívidas informais, outras pendentes

Ativos - dívidas = património líquido (verdadeira riqueza)

Exemplo: ativos de 5 milhões de euros, dívidas de 3 milhões, património líquido de 2 milhões.

Faça isto anualmente para acompanhar o progresso.

Passo 4: Prepare uma reserva de emergência (Emergency Fund)

Se perder o emprego de repente, ficar doente ou ocorrer uma emergência, sem dinheiro, a sua casa ou trabalho podem estar em risco!

Deve ter uma reserva de pelo menos 3-6 meses de despesas.

  • Exemplo: despesas essenciais de 20.000 euros/mês, deve poupar entre 60.000 e 120.000 euros.

Guarde em locais seguros, com alta liquidez, como contas de poupança ou fundos do mercado monetário.

Passo 5: Conheça e proteja-se contra riscos

Muitos poupam, mas, em caso de acidente ou doença, ficam sem dinheiro e aumentam as dívidas, colocando a família em crise.

Tenha:

  • Seguro de vida: se morrer, a família recebe uma compensação para pagar dívidas e manter o padrão de vida
  • Seguros de saúde e saúde mental: para acidentes e doenças graves, que custam caro

Importante: não é uma opção, é uma obrigação.

Passo 6: Adote a estratégia “pague primeiro” e não “deixe para depois”

Fórmula incorreta: Renda - Despesas = Poupança (não sobra!)

Fórmula correta: Renda - Poupança = Despesas (Reduza despesas!)

No primeiro mês, pode ser difícil, mas em 1-2 meses, já terá criado o hábito.

Importante: as dívidas não devem ultrapassar 45% da sua renda.

Exemplo: com uma renda de 20.000 euros, as dívidas não devem passar de 9.000 euros.

Se passar, a vida fica difícil.

Passo 7: Crie fontes adicionais de rendimento

A lição da Covid-19: depender de uma única fonte de rendimento é arriscado demais.

Use as suas habilidades ou tempo livre para ganhar mais dinheiro. O Side Hustle é essencial, não é luxo, é uma questão de sobrevivência.

Passo 8: Faça o seu dinheiro “trabalhar” por si

Se deixar o dinheiro parado, sem investir, a inflação vai corroê-lo. Faça o dinheiro gerar retorno.

Invista de acordo com o seu perfil de risco:

  • Baixo: contas de depósito, ações de dividendos, obrigações
  • Médio: fundos de investimento fixos, imóveis
  • Alto: ações de crescimento, fundos de ações

Exemplo de comparação (20 anos):

  • Depósito bancário a 1,5% → 14,7 milhões de euros
  • Investimento com retorno de 5% → 23,2 milhões de euros

Ganhe até 8,5 milhões de euros só ao escolher bem os investimentos!

Passo 9: Invista no seu conhecimento (Conhecimento)

Leia artigos financeiros, assista a vídeos no YouTube, ouça podcasts e webinars sobre planeamento financeiro.

Quanto mais investir no seu conhecimento, menos irá cometer erros caros.

Resumo: dicas financeiras para quem trabalha

Se poupar 5.000 euros/mês, com um retorno de 5% ao ano, em 30 anos:

  • Ano 10: 813.000 euros
  • Ano 20: 2.054.000 euros
  • Ano 30: 4.143.000 euros

Comparado com quem não poupa, a diferença é enorme.

Não é preciso ser rico para planear as finanças, mas quem planeia bem, fica cada vez mais rico.

Hoje é o primeiro dia para começar a planear o uso do seu dinheiro. Faça uma lista de receitas e despesas por 7 dias, depois siga os passos. Em 5 anos, vai agradecer a si próprio. Boa sorte!

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