Itália multou a Revolut em €11,5 milhões por violações ao consumidor. A menor multa revela o maior problema.


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A autoridade de concorrência italiana, a Autorità Garante della Concorrenza e del Mercato (AGCM), multou a Revolut em 2 de abril em 11,5 milhões de euros por práticas comerciais injustas. A decisão abrange três violações distintas relacionadas com serviços de investimento, gestão de contas de pagamento e a migração de contas de clientes de IBANs lituanos para IBANs italianos. A Revolut afirmou que irá recorrer nos tribunais italianos.

A jurisdição da AGCM é a proteção dos consumidores, não a supervisão bancária. Esta não é uma multa do Banco de Itália nem do Banco Central Europeu. Trata-se de uma ação de execução ao abrigo do Código do Consumidor italiano — Artigos 20, 21, 22, 24 e 25 — que abrange conduta comercial junto de clientes de retalho. Essa distinção é relevante para como a decisão deve ser interpretada.

As Três Violações

A primeira multa, 5 milhões de euros, foi aplicada à Revolut Securities Europe UAB e à Revolut Group Holdings por não terem divulgado de forma clara, desde o primeiro contacto com os clientes, os custos adicionais e as limitações envolvidos em investimentos sem comissões. A AGCM centrou-se especificamente em ações fracionadas, que envolvem diferenças materiais face às ações completas em termos de risco, direitos dos acionistas e transferibilidade — diferenças que o regulador considerou que não foram comunicadas de forma adequada.

A segunda multa, também 5 milhões de euros, foi aplicada à Revolut Group Holdings e à Revolut Bank UAB por práticas agressivas e pouco transparentes na gestão de suspensões e restrições de contas de pagamento. A AGCM considerou que a Revolut não forneceu informações pré-contratuais adequadas, aviso adequado antes de serem aplicadas restrições e assistência ou recurso adequado uma vez que uma conta tivesse sido restringida. O regulador assinalou explicitamente que o bloqueio do acesso aos fundos, por vezes por períodos prolongados, prejudica a capacidade dos clientes de exercer os seus direitos contratuais e de responder a necessidades financeiras urgentes.

A terceira multa, 1,5 milhões de euros, foi aplicada à Revolut Group Holdings e à Revolut Bank UAB por não terem fornecido informações claras e exaustivas sobre os requisitos e o calendário para obter um IBAN italiano — começando pelas letras IT — em vez dos IBANs lituanos que os clientes tinham anteriormente.

Por que a Menor Multa é a Mais Significativa

A taxa de migração de IBAN é a menor das três. É também a que aborda de forma mais direta a questão estrutural que definiu o modelo de expansão europeia da Revolut.

A Revolut opera em toda a Europa através da Revolut Bank UAB, a sua entidade bancária lituana, licenciada pelo Banco da Lituânia e supervisionada pelo Banco Central Europeu. De acordo com as regras do mercado único europeu, um banco licenciado num Estado-Membro pode fazer o “passport” dos seus serviços em toda a UE sem exigir licenças bancárias separadas em cada país.

A Revolut usou essa estrutura para servir clientes em todo o continente, incluindo em Itália, mantendo a sua relação regulatória principal com supervisores lituanos e europeus.

A consequência prática desse modelo é que os clientes italianos, historicamente, detêm IBANs lituanos — identificadores de conta que começam por LT em vez de IT. À medida que a Revolut trabalhou para migrar a sua base de clientes italianos para IBANs de balcão italianos, tem vindo a conduzir exatamente o tipo de transição regulatória complexa que uma operação com “passport” exige quando pretende aprofundar a sua presença local. A AGCM concluiu que a Revolut não explicou essa transição com clareza suficiente.

Como a FinTech Weekly explicou na sua análise da estratégia de capital de fintech europeia, a distinção entre operar sob uma licença com “passport” e deter uma presença bancária local não é puramente regulatória. Tem consequências comerciais diretas — na confiança dos clientes, na profundidade das relações locais e, como esta ação de execução ilustra, na clareza das obrigações para com os clientes de retalho em cada mercado.

A Revolut recebeu a sua licença bancária completa no Reino Unido da Prudential Regulation Authority em março de 2026. Essa licença é relevante para as suas operações no Reino Unido. Não se estende a Itália, onde a Revolut continua a operar através da sua entidade lituana.

A Resposta da Revolut

A Revolut disse que discorda fortemente das conclusões da AGCM e que irá recorrer nos tribunais italianos. Um porta-voz afirmou que a empresa tinha confiança de que as suas comunicações eram claras e transparentes e que proteger os seus clientes era a sua prioridade absoluta.

A Revolut também afirmou que as revisões de contas do tipo citado na segunda violação são obrigatórias e necessárias para proteger os clientes e a integridade do sistema financeiro, e que a sua transição para contas bancárias italianas foi realizada de acordo com os protocolos bancários locais.

O recurso significa que as multas ainda não são definitivas. As decisões administrativas de execução deste tipo em Itália estão sujeitas a fiscalização judicial, e os resultados variam.


Nota do Editor: Comprometemo-nos com a precisão. Se detetar um erro ou tiver informações adicionais, por favor envie um email para [email protected].

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