FAO das Nações Unidas: Conflito no Médio Oriente está a elevar os preços globais dos alimentos e a causar impactos profundos

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) afirmou na sexta-feira que, devido à guerra no Médio Oriente ter impulsionado os preços da energia e ao aumento das tarifas de transporte, os preços globais dos alimentos subiram em março para o nível mais alto desde setembro do ano passado; se o conflito persistir, os preços dos alimentos poderão voltar a subir.

O principal economista da FAO, Maximo Torero, referiu numa declaração: “Desde o início do conflito, o aumento dos preços foi, em geral, moderado, impulsionado sobretudo pela subida do preço do petróleo; ao mesmo tempo, a oferta global de cereais, em quantidade suficiente, atuou em certa medida como amortecedor.”

Mas ele alertou que, se o conflito durar mais de 40 dias e os custos dos insumos agrícolas se mantiverem em níveis elevados, os agricultores poderão reduzir os investimentos, diminuir as áreas cultivadas ou mudar para culturas com menor dependência de fertilizantes.

Ele acrescentou: “Estas escolhas afetarão a produtividade futura das culturas e terão repercussões profundas para o restante deste ano e para a oferta de alimentos e os preços de commodities do próximo ano.”

Os dados mostram que, em março, o índice de preços dos alimentos da FAO foi de 128,5 pontos, subindo 2,4% em termos mensais, pelo segundo mês consecutivo, e aumentando 1,0% face ao mesmo período do ano passado.

Embora o índice acompanhe os custos de commodities de matérias-primas e não os preços de retalho, a alta desta vez transmite um sinal: à medida que o conflito no Médio Oriente eleva os custos de energia e de fertilizantes e perturba o escoamento de cereais e de insumos agrícolas essenciais através do Estreito de Ormuz, a inflação dos alimentos poderá persistir.

Aumento dos custos de fertilizantes ou redução da vontade de cultivar

O índice de preços dos cereais subiu 1,5% em termos mensais; no seu caso, os preços do trigo internacional subiram 4,3%, impulsionados principalmente pela piora das perspectivas das culturas nos Estados Unidos e pelas expectativas de que a Austrália possa reduzir as áreas de cultivo devido ao aumento dos custos de fertilizantes.

Os preços globais do milho subiram ligeiramente; a abundância da oferta global compensou em certa medida as preocupações decorrentes do aumento dos custos de fertilizantes. Ao mesmo tempo, a subida dos preços da energia elevou as expectativas de procura por etanol, o que também deu suporte indireto aos preços do milho.

Os preços do arroz caíram 3,0%, sobretudo devido a fatores do ciclo de colheita e à fraqueza da procura por importações.

Os preços dos óleos vegetais subiram 5,1%, pelo terceiro mês consecutivo. Os preços do óleo de palma, do óleo de soja, do óleo de girassol e do óleo de colza aumentaram, refletindo as expectativas de uma alta dos preços da energia à escala global e de uma maior procura por biocombustíveis.

Entre estes, o preço do óleo de palma atingiu o nível mais alto desde meados de 2022.

O preço do açúcar subiu 7,2% em março, atingindo o maior nível desde outubro de 2025. A razão foi a subida do preço do petróleo bruto, que melhorou as expectativas do mercado. Como o Brasil é o maior exportador mundial de açúcar, poderá destinar mais cana-de-açúcar à produção de etanol em vez de açúcar.

Os preços da carne subiram 1,0%, impulsionados sobretudo pela alta dos preços da carne de porco na União Europeia e da carne bovina no Brasil, enquanto os preços das aves caíram ligeiramente.

Num outro relatório, a FAO ajustou ligeiramente em alta a previsão de produção global de cereais para 2025, para 3.04B de toneladas, estimando um crescimento de 5,8% em termos homólogos, o que representará um novo máximo histórico.

(Fonte: Caixin Leju)

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