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As empresas dos EUA estão a absorver a inflação das tarifas
A inflação esteve em destaque na semana passada, enquanto comentadores procuravam indícios dos impactos das tarifas e uma indicação da futura política das taxas de juro nos mais recentes dados. Mas a inflação dos preços na produção foi benigna, descendo para 2,6% ao longo do último ano, face aos 3,1% do mês anterior. Esta queda do PPI (índice de preços ao produtor) em termos gerais reflete sobretudo uma descida nas margens comerciais, já que grossistas e retalhistas absorvem a inflação resultante das tarifas ao reduzirem as suas margens de lucro, em vez de transferirem estes custos para os consumidores.
Isto contrasta de forma acentuada com o período pós-pandemia, quando estas empresas procuraram aumentar as suas margens sob a protecção de pressões inflacionistas mais amplas. Esta abordagem mais cautelosa pode indicar falta de confiança na capacidade das empresas dos EUA para aguentarem preços mais elevados. Embora a inflação dos preços no consumidor continue acima da meta, esteve em linha com as expectativas e, por conseguinte, reforçou as expectativas de cortes futuros nas taxas de juro. Em resposta, o dólar norte-americano caiu na quinta-feira, fechando a semana com uma desvalorização de 0,3%.
Quedas nos rendimentos dos Treasuries a longo prazo
Nos mercados de Treasuries, o movimento mais notável veio do rendimento a 30 anos, tradicionalmente visto como um indicador de estabilidade financeira, que desceu para o seu nível mais baixo desde o anúncio das tarifas no início de Abril. A demonstração de confiança por parte dos investidores coincidiu com a notícia de que o Supremo Tribunal vai acelerar a emissão de uma decisão sobre a autoridade do Presidente Donald Trump para usar poderes de emergência para impor tarifas.
As tarifas mostram que os investidores têm memórias curtas
Embora a decisão do Supremo Tribunal seja desconhecida, o menor impacto das tarifas na mente dos investidores pode ser visto pelo desempenho do cesto de exposição a tarifas da Morningstar, uma recolha não ponderada de empresas identificadas pelos nossos analistas como especialmente vulneráveis a tarifas. Tendo caído em média 22% desde o início do ano até 8 de Abril, quando lançámos o cesto, o preço destas empresas subiu posteriormente, em média, 25%, com várias a avançar mais de 100%, incluindo Wayfair W, Kohl’s KSS e Western Digital WDC.
Isto é um lembrete de como é rápido que eventos económicos e geopolíticos importantes podem desaparecer do pensamento dos investidores, mesmo enquanto o panorama ainda é incerto. Também se observou semelhante desinteresse perante a incerteza política e económica nas acções francesas, que subiram 1,8% numa semana em que o país recebeu o seu sexto primeiro-ministro em cinco anos. Seria fácil interpretar estes resultados como evidência de que os investidores estão a ficar mais confortáveis com a incerteza política. No entanto, essa conclusão tem de ser testada através da próxima crise significativa, antes de podermos ter qualquer confiança nesse argumento.
O preço das acções da Oracle dispara
Os investidores em tecnologia tiveram bastante informação para digerir na semana passada, com várias operações de captação de capital, incluindo a IPO da Klarna, novos produtos da Apple AAPL e resultados impressionantes da Oracle ORCL. O crescimento notável da Oracle desencadeou um aumento de 42% no preço das suas acções na quarta-feira, colocando temporariamente o fundador Larry Ellison como o homem mais rico do mundo e ajudando o sector de tecnologias de informação a ganhar 2,8% ao longo da semana. Também levou a uma mudança na avaliação da Morningstar do analista Luke Yang sobre a estimativa de justo valor da Oracle. A Apple, em contraste, não conseguiu impressionar os investidores — um resultado perigoso para uma empresa que negoceia a uma avaliação dispendiosa. Os ganhos na tecnologia impulsionaram ainda o sector de consumo discricionário 1,3% em alta, já que a Tesla TSLA subiu 12,8% após o anúncio de que obteve aprovação para testar o seu robotaxi na Nevada.
De forma mais abrangente, ganhos acentuados em serviços públicos, energia e serviços financeiros levaram a um aumento global de 1,5% no Morningstar US Market Index. Mais além, os mercados desenvolvidos no estrangeiro, em geral, ficaram atrás dos EUA, enquanto os mercados emergentes estiveram à frente, com uma subida de 3,6%, liderada pela China.
Um corte de taxa de meio ponto impulsionaria os mercados
O foco dos comentadores esta semana estará firmemente fixado na decisão do Federal Open Market Committee de quarta-feira e na conferência de imprensa que se segue. Embora um corte de um quarto de ponto nas taxas de juro seja o resultado mais provável, os investidores impacientes estarão à espera de mais, acreditando que taxas de juro mais baixas impulsionariam o crescimento económico e as avaliações das acções. Apesar de os preços das acções provavelmente subirem se estas esperanças se concretizarem — ou se o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, insinuar cortes mais profundos nas suas declarações —, aumentar a probabilidade de inflação não beneficia a maioria dos investidores no longo prazo. Como sempre, os investidores podem acompanhar os anúncios económicos neste calendário.