170 milhões de detentores de stablecoin: dados revelam o verdadeiro mundo do comércio e da liquidez

No início de 2026, a análise de stablecoins na blockchain apresenta uma imagem importante. A plataforma de análise de dados Dune, em parceria com a Steakhouse Financial, lançou um conjunto de dados abrangente sobre stablecoins, revelando um mundo complexo de mais de 170 milhões de endereços detendo esses ativos. Esses dados não são apenas números, mas mostram como as stablecoins realmente funcionam.

Oferta de mercado e liderança: USDT e USDC ainda dominam

Até o início de 2026, a oferta total das 15 maiores stablecoins nas blockchains compatíveis com EVM, Solana e Tron, atingiu 3,04 trilhões de dólares, um aumento de 49% em relação ao ano anterior. Ainda assim, 89% do mercado é controlado por dois players: Tether com USDT (1,97 trilhão de dólares) e Circle com USDC (730 bilhões de dólares).

A distribuição da oferta por blockchain apresenta uma imagem interessante. Ethereum lidera com 1,76 trilhão de dólares (58%), seguido por Tron com 840 bilhões (28%), Solana com 150 bilhões (5%) e BNB Chain com 130 bilhões (4%). Apesar de quase dobrar a oferta total, a participação de mercado de cada blockchain permaneceu praticamente inalterada em relação ao ano passado.

2025 foi um ano importante, com novas stablecoins mostrando forte crescimento. USDS do Sky Ecosystem cresceu 376%, atingindo 63 bilhões de dólares. PYUSD do PayPal aumentou 753%, chegando a 28 bilhões, enquanto RLUSD da Ripple cresceu 1803%, atingindo 11 bilhões. Nem todas as concorrentes tiveram sucesso — USD0 caiu 66%, e USDe da Ethena atingiu o pico em outubro, mas terminou o ano com um aumento de 23%.

Centralização dos detentores: descentralizado versus centralizado

Existem cerca de 170 milhões de endereços diferentes que detêm stablecoins, mas a distribuição é desigual. USDT é detido por 136 milhões de endereços, USDC por 36 milhões, e DAI por 47 milhões.

Uma característica importante dessas três principais stablecoins é sua distribuição descentralizada. Os 10 principais wallets de USDT, USDC e DAI detêm apenas 23-26% da oferta, com um índice Herfindahl-Hirschman (HHI) inferior a 0,03, indicando quase total descentralização.

Por outro lado, outras stablecoins apresentam uma concentração maior. USDS tem 90% de sua oferta em apenas 10 wallets principais (HHI 0,48), USDF com 99% nas 10 maiores (HHI 0,54), e USD0 é a mais centralizada, com 99% nas 10 maiores (HHI 0,84). Isso mostra que essas novas stablecoins ainda estão consolidando sua posição no mercado.

Não é necessariamente um problema — algumas são novas, outras foram criadas para demanda institucional. Mas significa que seus dados de oferta devem ser interpretados de forma diferente de USDT ou USDC. A centralização impacta riscos contratuais, profundidade de liquidez e indica se a oferta reflete a demanda de mercado natural ou é controlada por grandes participantes.

10,3 trilhões de dólares: onde estão indo as stablecoins em DEX e CEX

Em janeiro de 2026, o volume de transferências de stablecoins nas blockchains compatíveis com EVM, Solana e Tron atingiu 10,3 trilhões de dólares, mais do que o dobro de janeiro de 2025. Mas o mais importante não é o total, e sim para onde essa capital está indo.

Distribuição de fluxo entre diferentes blockchains

A oferta na Base é de apenas 44 bilhões de dólares, mas lidera com 5,9 trilhões de dólares em volume de transferências. Ethereum movimentou 2,4 trilhões, Tron 680 bilhões, Solana 544 bilhões e BNB Chain 406 bilhões.

Por token, USDC lidera com 8,3 trilhões de dólares, quase cinco vezes USDT (1,7 trilhão), embora a oferta de USDC seja 2,7 vezes menor que a de USDT. DAI movimentou 1,38 trilhão, USDS 920 bilhões e USD1 430 bilhões.

Atividades reais de stablecoins

Estes dados não representam apenas “volume de negociação” — eles refletem atividades específicas na cadeia:

Estrutura de mercado (DEX e liquidez): 5,9 trilhões de dólares foram fornecidos e retirados de liquidez em DEXs — o maior caso de uso. Swap em DEX atingiu 3,76 trilhões. Ambos indicam que stablecoins funcionam principalmente como ativos de base e infraestrutura de liquidez para negociações on-chain.

Produtividade e eficiência de capital: empréstimos instantâneos (flash loans) atingiram 1,3 trilhão, enquanto atividades de alavancagem (depósitos, empréstimos, liquidações, retiradas) somaram 1,37 trilhão. Mostram eficiência de capital de curto prazo e crédito estruturado na cadeia.

Atividades em CEX e pontes (bridges): fluxos de 5,99 trilhões de dólares em exchanges centralizadas (depósitos, retiradas, transferências internas) e 280 bilhões em pontes cross-chain. Indicam que stablecoins desempenham papel importante entre CEXs e na liquidação cross-chain.

Operações de emissoras: emissão, queima, desvinculação e outras atividades totalizaram 1,06 trilhão de dólares — quase 2,5 vezes o valor de 2025 (420 bilhões).

No total, 90% do volume de transferências ocorre por meio dessas categorias de atividade, oferecendo uma compreensão detalhada de cada nível da economia de stablecoins.

Taxa de circulação: o mesmo token, diferentes ecossistemas

A taxa de circulação diária (volume de transferências dividido pela oferta) é uma métrica pouco avaliada na análise de stablecoins, mas revela quão ativamente esses ativos são usados como meio de troca, além de serem mantidos.

Na Base, USDC atinge uma taxa de circulação diária 14 vezes maior, devido à alta atividade de DeFi. Em Solana e Polygon, é cerca de 1, enquanto na Ethereum é 0,9 — quase toda a oferta é negociada diariamente.

A velocidade do USDT varia de região para região. Na BNB Chain, a taxa diária é 1,4, indicando atividade de negociação. Na Tron, é 0,3 — menor volume, mas de papel estável, compatível com seu papel em pagamentos transfronteiriços. Na Ethereum, a taxa é apenas 0,2, com mais de 1 trilhão de dólares em oferta inativa.

A baixa taxa de circulação do USDe e USDS não é acidental. Na Ethereum, USDe tem uma taxa diária de 0,09, e USDS de 0,5. Ambos foram criados para gerar renda: USDe é convertido em sUSDe para obter lucros com a estratégia delta-neutra da Ethena, enquanto USDS é colocado na Sky Savings Rate. A baixa circulação não é um defeito — é uma feature. Essas assets foram projetadas para gerar renda, não para circular.

Na Solana, PYUSD tem uma taxa diária de 0,6, quatro vezes maior que na Ethereum (0,1). Mesmo token, diferentes padrões de uso em ecossistemas distintos.

Futuro multimoeda: euro, iene e além

Este análise foca em 15 stablecoins de dólar, mas o dataset completo oferece uma visão mais ampla. Inclui mais de 200 stablecoins, representando mais de 20 moedas: euro (17 tokens, 9,9 bilhões de dólares), real brasileiro, iene japonês, naira nigeriana, xelim queniano, rand sul-africano, lira turca e rupia indonésia.

Atualmente, stablecoins não-dólar representam apenas 12 bilhões de dólares, mas há 59 símbolos disponíveis em seis continentes — cerca de 30% de todos os símbolos no dataset. Infraestrutura para stablecoins locais está sendo criada diariamente. À medida que o mercado global evolui, os dados mostram como essa diversidade está moldando o cenário de stablecoins.

Os 170 milhões de detentores de stablecoins não representam apenas um número — mostram onde há atividade econômica real na blockchain. Comércio, liquidez, geração de renda e transações transfronteiriças — tudo impulsionado por stablecoins. E, à medida que a distribuição multimoeda cresce, essa economia se tornará ainda mais diversificada.

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