Fim de tradição com mais de 50 anos? Os relatórios trimestrais das ações norte-americanas podem mudar para relatórios semestrais

问AI · Informação e Divulgação: Como a Transformação Afeta a Volatilidade do Mercado?

O mercado de capitais dos EUA está a preparar uma das maiores mudanças nas regras de divulgação de informações desde os anos 70.

No dia 16 de março, o Wall Street Journal, citando fontes confidenciais, revelou que a Securities and Exchange Commission (SEC) está a elaborar uma nova proposta para eliminar a obrigatoriedade de divulgação trimestral de resultados por parte das empresas cotadas, permitindo que as empresas escolham divulgar relatórios semestrais.

É importante notar que a nova regra não elimina completamente o sistema de relatórios trimestrais; as empresas ainda podem optar por manter a frequência atual de divulgação.

Segundo informações, a SEC deverá apresentar a proposta já no próximo mês, e, se aprovada, terminará com a tradição de mais de 50 anos de relatórios trimestrais nos EUA.

Apoios: Alívio para as Empresas

O principal impulsionador desta mudança é o presidente dos EUA, Donald Trump.

Durante o seu mandato, Trump expressou várias vezes a sua preferência pelo sistema de relatórios semestrais, considerando o sistema atual de relatórios trimestrais uma carga pesada.

Em setembro do ano passado, ele pediu publicamente à SEC que alterasse o ciclo de divulgação financeira das empresas de trimestral para semestral, afirmando que isso “economizaria recursos e permitiria aos gestores focar na gestão da empresa”.

Defensores da reforma argumentam que manter o status de cotada exige muito tempo e dinheiro para lidar com conformidade e burocracia, sendo uma das razões principais pelas quais muitas empresas optam por permanecer privadas.

Dados indicam que o número de empresas cotadas nos EUA caiu de mais de 8.000 em 1996, para menos de 4.000 no final de 2024.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, apoiou a reforma em setembro do ano passado, destacando que Trump percebeu que o mercado de ações está a encolher e que a mudança para relatórios semestrais pode ser uma forma de “reduzir os custos das empresas cotadas sem prejudicar os investidores, dando-lhes uma nova oportunidade de revitalização”.

Além disso, o sistema de relatórios trimestrais tem sido criticado por fomentar uma mentalidade de curto prazo. Sob a pressão do mercado, muitos executivos sacrificam investimentos em P&D ou estratégias de longo prazo para atingir previsões de lucros trimestrais.

Bernie McKinney, gestor de investimentos do NFJ Investment Group, afirmou: “Focar excessivamente nos objetivos trimestrais pode levar a decisões de curto prazo, enquanto prolongar o ciclo de divulgação favorece uma alocação mais racional de capital.”

Esta opinião é apoiada por figuras de destaque de Wall Street, como Warren Buffett e Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase. Buffett tem criticado há anos as “manipulações nos relatórios financeiros” e, na sua carta aos acionistas de 2022, afirmou: “Superestimar as expectativas e apresentá-las como uma vitória de gestão é uma prática repugnante e uma vergonha para o capitalismo.”

Contra: Redução da Transparência

As vozes contrárias à reforma também são fortes e fundamentadas.

Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro dos EUA, destacou que o crescimento do mercado de capitais americano deve-se à sua “responsabilidade e transparência”, afirmando que “divulgações frequentes e o compartilhamento de informações são o núcleo do mercado de capitais dos EUA”.

Samir Saman, chefe de pesquisa de ações globais e ativos físicos do Wells Fargo Investment Institute, alertou que “relatórios mais espaçados aumentam a incerteza, o que pode intensificar a volatilidade do mercado ou dos preços na hora de divulgação das empresas”.

Brian Nick, chefe de estratégia de portfólio da Wealth Management da Newedge Wealth, comentou sobre possíveis impactos na avaliação: “Embora o objetivo de Trump seja promover uma maior atenção ao longo prazo por parte de investidores e empresas, isso pode aumentar a incerteza no mercado de ações e, devido à menor frequência de informações, diminuir as avaliações (aumentando o risco de prêmio de risco). Com maior probabilidade de resultados abaixo do esperado e impacto mais forte, a volatilidade na temporada de resultados pode aumentar.”

Para investidores individuais, a assimetria de informações pode tornar-se ainda mais grave. Matt Malley, estrategista-chefe de mercado da Miller Tabak + Co., afirmou: “A falta de transparência dificultará o investimento, mas também libertará a gestão das empresas para focar mais no longo prazo. É uma faca de dois gumes. Isso exigirá análises mais precisas de Wall Street.”

Lições de Outros Mercados

No final do ano passado, a Bolsa de Valores de Longo Prazo de Nova York (LTSE) solicitou à SEC a alteração na frequência de divulgação de informações, impulsionando ainda mais a discussão sobre a reforma.

Na verdade, outros mercados já oferecem exemplos de mudanças semelhantes.

Desde 2013, a União Europeia deixou de exigir a divulgação trimestral de resultados financeiros por parte das empresas cotadas, e o Reino Unido também eliminou essa obrigatoriedade há cerca de dez anos. Essas experiências fornecem referências importantes para a reforma nos EUA.

A experiência europeia mostra que, mesmo sem a obrigatoriedade, muitas empresas continuam a divulgar relatórios trimestrais voluntariamente.

O presidente da SEC, Paul Atkins, citou o Reino Unido como exemplo, dizendo que, após a retomada do sistema semestral em 2014, algumas grandes empresas optaram por continuar a divulgar relatórios trimestrais por necessidade própria. Para ele, isso demonstra que o mercado consegue determinar de forma eficaz a frequência e a profundidade das divulgações.

Outros mercados asiáticos também adotaram reformas similares. Cingapura, por exemplo, introduziu requisitos trimestrais em 2003, mas, em 2020, eliminou essa obrigatoriedade, deixando de exigir relatórios trimestrais de qualquer empresa.

Hong Kong, a partir de 2024, ajustou as regras de divulgação do Conselho de Empreendedorismo, deixando de exigir relatórios trimestrais, alinhando-se ao mercado principal, mantendo apenas os relatórios semestrais e anuais.

Jonathon Golub, chefe de estratégia de ações da Harbour Research Partners, afirmou: “Quando há mais informação e transparência, o mercado de capitais e a economia como um todo funcionam de forma mais eficiente.” Contudo, também é preciso considerar a carga real para as empresas e suas necessidades de desenvolvimento a longo prazo.

Repórter: Li Xizi

Edição: Wang Zhexi

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